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Como pediatras podem ajudar as crianças e suas famílias a lidarem com o divórcio

Na última década, o número de divórcios no Brasil cresceu 160%, sendo 341,1 mil em 2013. As crianças e seus pais podem experimentar traumas emocionais antes, durante ou depois do processo de separação, para tal fato devemos estar alertas.

O divórcio é um processo e não apenas um único evento, logo ajustes e acertos serão necessários ao longo do tempo. As queixas mais comuns são diminuição do desempenho escolar, alterações de comportamento e até mesmo queixas somáticas, e os pediatras podem ajudar os pais a compreenderem essas reações de seus filhos e encorajá-los a discutir o processo de divórcio com as crianças para que as mesmas entendam melhor o momento e se sintam envolvidas nas decisões, respeitando o nível de compreensão da idade. Devemos orientar aos cuidadores que a rotina escolar, extra curricular, com amigos e família sofra a menor alteração possível, e que eles deixem claro às crianças que elas não são culpadas pela separação e tão pouco serão menos amadas por qualquer dos lados. Se ainda sim houver mudança comportamental significativa, devemos avaliar e indicar ajuda especializada: psiquiatra ou psicoterapia.

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Dependendo do desenvolvimento e do temperamento do menor e da capacidade dos pais de se concentrarem nas necessidades e sentimentos dos filhos, as manifestações irão sofrer alterações. Mas devemos lembrar que na grande maioria dos casos esses cuidadores estão abalados psico e emocionalmente, com dificuldade em lidar com seus próprios traumas, o que acaba influenciando ainda mais as crianças. O pediatra deve ser imparcial e o grande defensor do seu pequeno paciente. Ao saber de um caso de separação, abordar preferencialmente ambos os pais e se informar de como está sendo a transição, a mudança de rotina da criança, as dificuldades que vêm sendo encontradas, etc. Nesta entrevista, a coleta de dados irá ajudar para sinalizar caso o menor esteja sendo (mesmo que involuntariamente) negligenciado por um ou ambos os lados (na maioria das vezes, os pais sequer notam a demanda de seus filhos e sua negligência, por estarem envolvidos demais na situação). O objetivo final é o bem estar da criança e um relacionamento positivo e neutro com ambos os pais para que o acompanhamento com o menor não sofra danos.

O mais importante para a saúde mental da criança durante o divórcio não é a custódia, mas sim a qualidade do afeto que recebe de cada pai durante o período, bem como a resiliência da própria criança. Porém, devemos nos informar do tipo de custódia e atualizar em prontuário, assim como nos atualizar de quem tem permissão legal para acessar o prontuário, quem deve pagar as despesas e com quem devemos discutir as informações de saúde da criança.

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Sugestões para ajudar as crianças e suas famílias:

– Esteja sempre alerta aos sinais iminentes de separação e crise familiar. Pergunte claramente sobre as mudanças ou problemas da família em cada consulta.

-Converse sobre como está o funcionamento da família e lembre aos pais que o que eles fazem durante e após o divórcio é muito importante para a adaptação do filho.

– Seja sempre o defensor da criança, ofereça apoio e conselhos apropriados para a idade para a criança e seus pais sobre as reações, especialmente culpa, raiva, tristeza e perda de amor percebida. A criança precisa ser reassegurada que ela não causou a separação e não pode resolver o problema.

– Estabeleça limites e mostre seu papel sem tomar partido. Caso note alguma relação abusiva ou que coloque o menor em risco, notifique.

– Encaminhe as crianças e suas famílias para a saúde mental, se necessário.

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Referências:

  • https://pediatrics.aappublications.org/content/138/6/e20163020
  • https://ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/registrocivil/2014/default.shtm

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