Como prevenir lesão de pele relacionadas ao uso de EPI em tempos de Covid 19?

Tempo de leitura: 2 min.

O enfrentamento à pandemia do Covid-19 vem deixando marcas nos profissionais de saúde, não somente psicológicas, como também físicas. Visando minimizar o impacto destas na vida dos profissionais já tão sobrecarregados, a Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest) em conjunto com o Grupo de Pesquisas em Estomaterapia: estomas, feridas agudas e crônicas e incontinência urinária e anal da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (GPET-EEUSP) lançou um conjunto de estratégias de prevenção de lesões de pele relacionadas ao uso de equipamentos de proteção individual (EPI) em profissionais de saúde.

A Organização Mundial da Saúde preconiza atualmente que todos os profissionais em contato direto com pacientes devam manter precaução de contato e gotículas. Isso inclui uso de máscaras cirúrgicas, óculos ou “face shield”, capote de mangas compridas e luvas. Para procedimentos com potencial dispersão de aerossol, tais como intubação, ventilação não invasiva, traqueostomia, RCP, dentre outros, a OMS preconiza ainda o uso de máscaras N95/FFP2 em substituição à máscara cirúrgica.

Apesar de imprescindível, o uso de EPI assim como a higienização constante das mãos podem predispor o profissional de saúde às lesões de pele. Se faz assim fundamental o cuidado para a manutenção da integridade da pele.

Manual para prevenção de lesões de pele

As seguintes medidas são listadas no manual acima citado:

  1. Realizar a lavagem das mãos.
  2. Higienizar a pele com sabonete líquido com pH levemente acidificado a neutro (compatível com a pele).
  3. Hidratar a pele diariamente, especialmente as mãos e o rosto, com produtos cosméticos com composição balanceada de umectantes e substâncias de hidratação ativa, de rápida absorção e secagem. Para o rosto, é importante a escolha de produtos que não impeçam a fixação de adesivos utilizados como interface para proteção da pele e não prejudiquem o posicionamento correto na máscara e óculos de proteção.
  4. Proteger a pele na área de fixação de máscara e óculos, quando utilizados por um longo período, especialmente nas regiões demonstradas a seguir ou onde se identifiquem forças de pressão, fricção e cisalhamento, garantindo o correto ajuste da máscara e óculos ao rosto.
Reprodução: Ramalho AO, et. al. São Paulo: GPET, SOBEST, 2020.
  1. Programar minutos de alívio de pressão estabelecendo períodos de retirada da máscara e óculos, no mínimo a cada 2 horas, evitando a contaminação das mãos ao manipular as camadas externas desses EPIs.
  2. Inspecionar a pele após uso dos EPIs e atentar aos sinais e sintomas: dor, prurido, hiperemia, ressecamento, flictena e lesões.
  3. Tratar, proteger e evitar o uso de máscara e óculos de proteção sobre áreas de lesões de pele, eczema ou hiperemia.

Leia também: Máscaras cirúrgicas são eficazes no controle da disseminação do novo coronavírus?

Além das recomendações relacionadas aos cuidados com a pele, o manual ainda cita medidas de autocuidado e preservação da saúde mental para profissionais de saúde. Neste momento é necessário prevenir e tratar das feridas físicas, mas é imprescindível cuidar das feridas da alma.

O texto acima visa apenas trazer de forma resumida os pontos principais tratados no manual. Para maior interesse na temática recomendamos sua leitura na íntegra e acesso ao material de apoio disponível no app Nursebook.

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Publicado por
Nicole Silveira

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