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Como prevenir lesões relacionadas ao posicionamento cirúrgico do paciente?

Tempo de leitura: 3 minutos.

O correto posicionamento cirúrgico do paciente é fator chave de sucesso para a cirurgia e para tanto deve ser realizado com segurança, baseado em conhecimentos anatomofisiológicos que possam implicar cada posição cirúrgica no organismo do paciente.

A posição cirúrgica é aquela na qual o paciente é colocado, depois de anestesiado, para que possa ser submetido ao procedimento cirúrgico, como ficará posicionado na mesa de operação durante todo o procedimento.

As principais metas do posicionamento cirúrgico do paciente são:

  • Proporcionar exposição e ótimo acesso ao sítio cirúrgico;
  • Prevenção de complicações decorrentes do tempo que o paciente permanece na mesma posição;
  • Facilitar o acesso aos equipamentos de anestesia e monitoração hemodinâmica;
  • Possibilitar acesso vascular para administração de fármacos e agentes anestésicos;
  • Permitir visibilidade e permeabilidade dos dispositivos de drenagem e aspiração, entre outros dispositivos acoplados ao paciente;
  • Manter as funções respiratória e circulatória adequadas;
  • Proteger a integridade neuromuscular e cutânea;
  • Manter o alinhamento corporal.

O posicionamento cirúrgico é um trabalho em equipe, porém cabe ao enfermeiro realizá-lo, por ser um dos profissionais responsáveis pelo CC e pelo paciente no CC realizar o SAEP (Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória), que individualiza o cuidado com o paciente cirúrgico, permitindo uma assistência de qualidade, principalmente ao que tange a prevenção de lesões e/ou complicações no posicionamento cirúrgico.

Por ser um trabalho em equipe, o enfermeiro deve compartilhar com o cirurgião e com o anestesiologista a decisão do melhor posicionamento do paciente, facilitando as atividades de toda equipe durante o ato anestésico-cirúrgico compartilhando assim a responsabilidade.

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A prevenção de lesões e/ou complicações no intraoperatório é de suma importância e preocupação constante de toda equipe, principalmente da enfermagem. O enfermeiro ao aplicar a SAEP realiza os respectivos itens:

  • Visita pré-operatória;
  • Identificação de riscos;
  • Previsão de dispositivos e superfícies de suporte;
  • Participação na decisão e responsabilidade pelo posicionamento;
  • Manutenção e avaliação contínua durante todo o período perioperatório.

O período perioperatório compreende:

  • Pré-operatório (mediato e imediato);
  • Transoperatório (intraoperatório);
  • Pós-operatório (imediato e mediato).

O risco de lesão resultante das condições ambientais encontradas em cenário perioperatório, apresentam como fatores de risco desorientação, edema, emaciação, imobilização, fraqueza muscular, obesidade, distúrbios sensoriais/perceptivos devidos à anestesia.

Encontramos pouca literatura acerca da prevenção do risco de lesão e/ou complicação resultante do posicionamento cirúrgico, porém recentemente foi desenvolvida e validada uma excelente ferramenta brasileira para detectar de forma rápida e fácil os pacientes com mais tendências a desenvolverem complicações devido ao posicionamento; trata-se da escala Escala de avaliação de risco para o desenvolvimento de lesões decorrentes do posicionamento cirúrgico do paciente (ELPO). A escala nos sinaliza de forma prática os cuidados individualizados para que o enfermeiro e/ou equipe cirúrgica possa prevenir as lesões e/ou complicações decorrentes do posicionamento cirúrgico.

Fatores de Risco da ELPO:

  • Tipo de posição cirúrgica;
  • Tipo de anestesia;
  • Tempo cirúrgico;
  • Tipo de superfície de suporte para manter o paciente na posição desejada;
  • Posição dos membros;
  • Fatores relacionados ao paciente, como idade, e comorbidades.

A ELPO validada para pacientes adultos e possui um escore que vai de 7 a 35 pontos; quanto maior o escore maior o risco do paciente desenvolver uma lesão e/ou complicação proveniente do posicionamento cirúrgico.

A ELPO estipulou um ponto de corte para facilitar a tomada de decisão da equipe quanto aos cuidados com o posicionamento do paciente; de 7 a 19 pontos o paciente apresenta menor potencial para desenvolver alguma lesão; já os pacientes com pontuação de 20 a 35 possuem maior chance de desenvolvimento de lesões, o que demanda uma assistência específica e maior atenção.

Durante a validação da ELPO, foi comprovado que a cada ponto que é aumentado no escore o paciente apresenta 28% de chance de desenvolver dor relacionada ao posicionamento e aumenta em 44% a chance de desenvolver lesão de pele.

Portanto realizar a SAEP, aplicar a ELPO, desenvolver protocolos para o posicionamento cirúrgico, atentar para cuidados especiais aos pacientes com escore entre 20 a 35 pontos são práticas necessárias para o cuidado individualizado e de qualidade que podem prevenir as complicações e/ou lesões relacionadas ao posicionamento cirúrgico.

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