Oftalmologia

Como tratar a anisomiopia em crianças: ortoceratologia ou atropina tópica?

Tempo de leitura: 2 min.

A anisomiopia é a diferença de miopia maior ou igual a 1 dioptria entre um olho e outro e pode reduzir a qualidade de vida causando dificuldade na fusão da imagem, astenopia e aniseiconia (diferença do tamanho das imagens formadas por cada um dos olhos). O grau de anisomiopia pode aumentar com a progressão da miopia ao longo do tempo. Além disso um estudo longitudinal em Singapura mostrou que os olhos de uma criança anisometrope geralmente mostram uma taxa maior de progressão de miopia do que os olhos de uma criança isométrope.

Leia também: Miopia: veja alguns fatos sobre a doença

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Estudos recentes

Alguns estudos têm investigado o efeito da ortoceratologia e da atropina tópica no controle da anisomiopia. Nenhum estudo havia comparado as duas intervenções. Um estudo retrospectivo publicado na Nature esse ano incluiu 124 crianças com anisomiopia e comparou o tratamento do lentes de ortoceratologia binocular, atropina 0,01% e atropina 0,05%. Foram incluídas crianças com no mínimo 8 anos. A média de idade foi de 12 anos.

Saiba mais: Qual é o impacto da ‘epidemia de miopia’ na produtividade global?

As lentes de Ortoceratologia (OrtoK) são lentes de contato de alta oxigenação, de geometria reversa, que induzem um defocus miópico na retina periférica através de um remodelamento corneano. Isso significa que elas temporariamente diminuem o grau de miopia e além disso atendem o objetivo de retardar o aumento do comprimento axial, controlando a miopia. A OrtoK foi elencada como a mais efetiva terapia não farmacológica para o controle da miopia atualmente. O colírio de atropina é o tratamento farmacológico comprovadamente eficaz para o controle da miopia.

Resultados

Após 2 anos de tratamento a diferença de comprimento axial entre os olhos caiu significativamente no grupo da ortoK e permaneceu estável nos dois grupos da atropina. O estudo mostrou que 2 anos de ortoceratologia bilateral melhorou a magnitude da anisomiopia reduzindo em 0,15 mm a diferença do comprimento axial entre os dois olhos. Isso aconteceu porque quanto mais míopes menos os olhos cresceram com a OrtoK. O crescimento nos menos míopes foi maior, diminuindo assim a diferença do comprimento axial entre os olhos. Essa diferença menor aconteceu inclusive em pacientes com pequenas miopias e anisometropias mais discretas. De acordo com esse estudo, a OrtoK é uma estratégia eficiente não só no controle da miopia mas muito interessante principalmente no manejo das crianças com anisomiopia.

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Referências bibliográficas:

  • Tsai WS, Wang JH, Chiu CJ. A comparative study of orthokeratology and low-dose atropine for the treatment of anisomyopia in children. Sci Rep. 2020;10,14176. doi: 10.1038/s41598-020-71142-3
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Publicado por
Juliana Rosa
Tags: anisomiopia

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