Cardiologia

Comparação entre IECA e BRA no tratamento da hipertensão

Tempo de leitura: 2 min.

Não há dúvidas de que o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona trouxe diversos benefícios para pacientes com hipertensão e outras doenças cardíacas. A primeira classe descoberta foram os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), posteriormente surgindo os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) com uma proposta de melhor resultado ponto de vista fisiopatológico. Entretanto não existe demonstração clara da superioridade de uma classe em relação a outra, e as duas, quando utilizadas em conjunto, não produziram melhores desfechos e apresentaram maior número de efeitos colaterais no tratamento da hipertensão.

Leia também: ESC 2020: Cardiopatas com Covid-19 devem manter o uso de IECA e/ou BRA?

Um estudo de base de dados decidiu comparar as duas classes de drogas no tratamento da HAS.

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Metodologia

O estudo utilizou informações de 8 base de dados de alguns locais nos Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha com mais 2,3 milhões de pessoas utilizando agentes anti-hipertensivos. A proposta era comparar desfechos clínicos, de segurança e efeitos adversos entre IECA e BRA.

Os 4 desfechos primários eram IAM, AVC isquêmico ou hemorrágico, hospitalização por IC e um composto dos 3 anteriores mais morte súbita cardíaca. Foram ainda avaliados um total de 51 desfechos secundários focados nos efeitos colaterais e segurança.

Resultados

Não houve diferença estatística significativa entre as drogas em relação a todos os desfechos primários. Os pacientes que utilizaram IECA estiveram mais propensos a tosse, angioedema, pericardite e perda de peso anormal em relação aos BRA, mostrando os importantes efeitos da bradicinina nessa classe de drogas. Os pacientes que utilizaram BRA tiveram uma maior taxa de ganho anormal de peso corporal. 

Conclusão

Nada de novo no estudo que mostrou que as duas classes são equivalentes em relação a desfechos clínicos, com os IECA mostrando um pouco mais de efeitos colaterais que os BRA sugerindo que essa última seria a droga preferencial de início de tratamento. Entretanto os autores não apresentaram os riscos absolutos dos efeitos colaterais e o ganho de peso com BRA em relação aos IECA não foi explorado.  Além disso apenas as classes foram mencionadas, nenhuma droga em específico foi citada, sendo assim a possibilidade de os efeitos colaterais estarem mais sujeitos a uma droga do que a classe do medicamento não pode ser avaliada.

Saiba mais: Descontinuação de iECA/BRA em pacientes com baixa taxa de filtração glomerular

A grande vantagem é ter se tratado de um estudo de mundo real, com todos os fatores envolvidos, inclusive adesão dos pacientes e a associação com outras comorbidades. Esse estudo abre caminho para a pesquisa e elucidação de alguns efeitos colaterais e ajuda o médico na decisão de qual medicamento iniciar. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Chen R, Suchard MA, Krumholz HM, et al. Comparative First-Line Effectiveness and Safety of ACE (Angiotensin-Converting Enzyme) Inhibitors and Angiotensin Receptor Blockers: A Multinational Cohort Study. Hypertension. 2021;Jul 26. doi: 10.1161/HYPERTENSIONAHA.120.16667
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Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

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