Categorias: Cardiologia

Complexo protrombínico é eficaz em até 70% dos casos de sangramento com apixabana ou rivaroxabana

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Rivaroxabana e apixabana são anticoagulantes que agem como inibidores direto do fator Xa. Estes medicamentos foram avaliados em vários ensaios clínicos randomizados de fase III de larga escala na prevenção de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com fibrilação atrial e para a prevenção e manejo de tromboembolismo venoso.

A hemorragia é uma complicação grave do tratamento com anticoagulantes. Em casos de hemorragia mais grave, as estratégias atuais sugeridas incluem a administração de concentrados de complexo de protrombina não ativados ou ativados, ou o fator VIIa recombinante. Entretanto, existe uma incerteza quanto à efetividade e ocorrência de eventos tromboembólicos em pacientes tratados com concentrados de complexo de protrombina para o manejo de eventos hemorrágicos.

Um estudo observacional prospectivo foi conduzido por pesquisadores da Suécia com o objetivo de avaliar a eficácia do concentrado de complexo de protrombina para o manejo de eventos hemorrágicos associados a rivaroxabana ou apixabana.

Os pacientes foram elegíveis para inclusão se necessitassem de tratamento com concentrado de complexo de protrombina para o tratamento de hemorragia grave aguda e ativa em rivaroxabana ou apixabana (“ativa”, indicando evidência de perda de sangue ou diminuição da hemoglobina ou – para hemorragia intracraniana – deterioração dos sintomas neurológicos durante as últimas 48 h ou menos com evidência radiológica de hemorragia intracraniana).

Um total de 84 pacientes receberam concentrado de complexo de protrombina administrado em uma dose mediana de 2.000 UI (intervalo interquartil: 1.500-2.000). A mediana de idade da população avaliada foi de 75 anos e 42,9% eram do sexo feminino.

Dos 84 pacientes, 70% (n=59) apresentaram hemorragia intracraniana e 15,5% (n=13) hemorragia gastrointestinal. Na maioria dos pacientes a indicação de anticoagulação foi a prevenção de AVC em pacientes com fibrilação atrial (n=63, 75,0%).

O manejo com concentrado de complexo de protrombina foi avaliado como efetivo em 58 (69,1%) pacientes e não eficaz em 26 (30,9%) pacientes. A maioria dos pacientes com hemostasia não eficaz com concentrado de complexo de protrombina apresentou hemorragia intracraniana (n=16, 61,5%).

Dois pacientes desenvolveram AVC isquêmico ocorrendo cinco e dez dias após o tratamento com concentrado de complexo de protrombina. Vinte e sete (32%) pacientes morreram dentro de 30 dias após o evento hemorrágico.

O tratamento foi considerado efetivo para 70% das hemorragias, independentemente de o paciente ter recebido apixabana ou rivaroxabana. Desta forma, a administração do concentrado de complexo de protrombina para o manejo de eventos hemorrágicos associados a rivaroxabana ou apixabana é efetiva na maioria dos casos e associada a um baixo risco de tromboembolismo.

Veja também: ‘Novos anticoagulantes orais: comparando as complicações’

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Referências:

  • Majeed, A., Ågren, A., Holmström, M., Bruzelius, M., Chaireti, R., Odeberg, J., Hempel, E., Magnusson, M., Frisk, T., & Schulman, S. (2017). Management of rivaroxaban or apixaban associated major bleeding with prothrombin complex concentrates: a cohort study. Blood, (), blood-2017-05-782060. Accessed September 07, 2017. https://doi.org/10.1182/blood-2017-05-782060.
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Publicado por
Juliana Festa

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