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Conheça novas orientações da SBP para tratamento de hemangioma

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Hemangioma pode ser definido como lesão cutânea vascular proliferativa, sendo os hemangiomas infantis (HI) os tumores vasculares benignos mais comuns na população pediátrica. Caracteristicamente, os hemangiomas aparecem nos primeiros dias ou semanas de vida e apresentam um período de crescimento rápido, seguido de estabilização e involução lenta.

A classificação dessas lesões continua um assunto controverso no meio, porém em 1982, Mullikene, divide as lesões em dois grupos: os hemangiomas e malformações vasculares. Já em 2014, a Sociedade de Estudos de Anomalias Vasculares propôs uma nova classificação que divide em três grandes grupos:

  • Tumores vasculares benignos: HI, hemangiomas congênitos, entro outros
  • Tumores vasculares borderline ou localmente agressivos: hemangioendotelioma kaposiforme, hemangioendotelioma retiforme, angioendoteliomapapilar, sarcoma de kaposi, entre outros.
  • Tumores vasculares malignos: angiossarcome, hemangioendotelioma epiteloide, entre outros.

Os hemangiomas ainda podem ser classificados, de acordo com sua profundidade, em:

  • Superficial,
  • Profundo,
  • Misto.

Quanto à extensão em:

  • Localizados,
  • Segmentares
  • Multifocais.

A apresentação clínica do HI é o recém-nascido com manchas anêmicas ou vasculares ao nascimento. Após 3-4 semanas, as lesões se proliferam e formam tumores ou placas, e crescem de forma acelerada nos dois primeiros meses. Posteriormente, crescem mais lentamente até o oitavo mês de vida. Após esta idade e até 1 ano e meio, as lesões passam pelo período de estabilização e, em seguida, pelo período de regressão que pode durar até os 10 anos.

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Devido à evolução clínica, a conduta na maioria dos casos é expectante, pois no período de regressão cerca de 90% das lesões desaparecem espontaneamente. A localização mais comum de acometimento é a cabeça, onde cerca de 80% das lesões de encontram. Cabe ressaltar que é comum o aparecimento de sequelas como telangiectasias, tecido fibrogorduroso e pele redundante, após a regressão as lesões. A complicação mais comuns dos HI é a ulceração que ocorre em cerca de 25% do casos.

O diagnóstico é primordialmente clínico, porém em alguns casos maiores investigações são necessárias, como nos casos de hemangiomas de linha média, por estarem associados a malformações e cometimento de órgãos interno; hemangiomatose múltiplas por estar associado também ao acometimento de órgãos internos, e casos de hipotireoidismo e hemangiomas associados a síndromes.

O principal diagnóstico diferencial são as malformações vasculares que, diferentemente dos hemangiomas, estão presentes ao nascimento, não têm período de crescimento rápido e não apresentam regressão espontânea.

O tratamento de escolha para os hemangiomas é o propranolol e o sucesso do terapêutico está relacionado ao reconhecimento precoce das lesões, evitando assim as complicações e sequelas. Alguns dos principais sinais de alerta são:

  • ulcerações ou risco de ulcerações
  • risco de desfiguração
  • perda funcional
  • oclusão palpebral
  • hemangioma genital ou anal
  • hemangioma labial ou conduto auditivo
  • hemangioma em dobras como axilas e virilha
  • hemangioma em ponta de nariz
  • hemangiomas segmentares, pelo maior risco de ulceração
  • hemangiomas associados a síndromes
  • hemangiomas viscerais
  • hemangioendotelioma de kaposiforme e angioma em tufo, devido ao risco de plaquetopenia e coagulação vascular disseminada

O propranolol deve ser usado por via oral na dose de 2-3 mg por kg por dia de 8 em 8 horas. Em média, o tratamento pode durar cerca de 6-7 meses. Alguns estudos demonstraram o retorno das lesões após a interrupção do tratamento, sendo assim se aconselha manter o tratamento pelo menos até 12 meses de idade. Os principais efeitos colaterais desta medicação são hipoglicemia, bradicardia, hipotensão, distúrbios do sono e broncoespasmo.

Outras opções para o tratamento são os betabloqueadores tópicos que podem ser indicados nos casos de lesões pequenas e superficiais, já os corticoesteroides constituem a segunda linha de tratamento, utilizados apenas na fase proliferativa e quando não há resposta ao propranolol.

Por fim, a chave do tratamento dos casos de hemangioma é o reconhecimento precoce das lesões; desta forma, o pediatra deve estar apto a reconhecer tais lesões e as principais indicações de tratamento.

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