Conheça o transtorno de personalidade antissocial: sociopatia e a psicopatia

Tempo de leitura: 4 min.

Os transtornos de personalidade considerado dissocial são um conjunto, considerando a personalidade amoral, antissocial, associal, psicopática e sociopática. Possuem comportamentos comuns e outros característicos do quadro. A relação entre eles se dá ao fato de haver desvio considerável de comportamento em relação as normas sociais estabelecidas pela sociedade. Mesmo havendo experiências adversas e punitivas o comportamento não é alterado. Em alguns dos quadros pode haver baixa tolerância a frustração, ideação violenta silenciosa, agressividade em atos planejados com tendência em culpar terceiros. Há um conflito com a sociedade, o que gera uma austeridade social. Dois dos que geram mais interesse das pessoas e que mantém relação com ações criminais são a sociopatia e psicopatia.

A sociopatia e a psicopatia

A sociopatia e psicopatia são doenças onde há comportamento antissociais e amorais, sem manifestação de sentimento em relação ao dano causado ao patrimônio ou às pessoas. As pessoas que sofrem dessas patologias possuem dificuldades de se relacionar, não possuem empatia e o seu egocentrismo pode ser aparente, não aprendendo com experiências mesmo que essas gerem dano a si ou a outrem. Ambas as patologias possuem relação com o transtorno de conduta. Os principais comportamentos são: conduta agressiva, representadas por meio de extrema violência, com ameaças ou lesões físicas a pessoas ou animais; violações de patrimônio, furto e roubo são comuns: a pessoa não se importa com a lesão patrimonial de outrem. Mas há diferença entre a sociopatia e a psicopatia. Então vamos conhecer as principais diferenças.

Psicopatia e sociopatia são condições definidoras na personalidade antissocial. O que difere, segundo vários autores, são os fatores genéticos, biológicos e fisiológicos versus os fatores ambientais, relacionais e sociais. A psicopatia se originaria por meio de fatores genéticos. No entanto, a controvérsia acontece enquanto estudos em psicologia mostram que questões graves acontecem com psicopatas durante a infância. Tradicionalmente, a sociopatia é vista de forma mais branda que a psicopatia, em relação a danos à pessoa, ligada a crimes menos graves e com grande ocorrência, ligadas ao dano de patrimônio privado ou público, ou mesmo, a posicionamentos e comportamento político que não considera o outro na relação de dano. Em sumo, a psicopatia estaria ligada a questões inatas, genéticas e a sociopatia a questões sociais e ambientais, sendo assim, vulnerabilidades poderiam contribuir para a sociopatia ou mesmo as relações interpessoais.

Uma questão importante para que possam concretizar as diferenças conceituais é relativo ao comportamento. O psicopata seria teatral, possuindo a dissimulação como comportamento central. Produzem crimes hediondos sem sentir emoções quanto à dor de outrem, sendo capazes de ocultar intenções na relação pretendida. Já os sociopatas criam conflitos sociais, associados ao crime. São menos estáveis o que provoca a irregularidade de comportamento, deixam mais pistas quando associados a crime pela impulsividade. O psicopata, por sua vez, na realização de um crime, planeja cada passo, sendo muitas vezes um desafio para o Estado identificar os crimes com outros membros da sociedade. É importante dizer que muitos autores relatam que sociopatia e a psicopatia são sinônimos, e que a distinção só acontece pela aproximação do psicopata com o psicótico e pela relação do comportamento criminoso arquitetado e pensado na sua execução.

Psicopata Sociopata
 

Etiologia

 

Associada a genética e a condição inata do indivíduo. A psicologia revela traumas na infância como ligação ao comportamento. A hereditariedade é o fundamento apontado segundo estudos.

 

É desenvolvido durante a vida da pessoa, com relação com as vulnerabilidades. A educação, a criação, a relação com pessoas e com o ambiente e contato a sociedade seriam a fonte dos problemas.

 

Relações sociais

 

Os psicopatas aparentam normalidade, sendo muito educados, inteligentes, com boas posições ou carreiras, se relacionando de forma satisfatória com pessoas. Mas são aparências, pois não conseguem criar laços afetivos. São manipuladores e podem cometer diversos crimes hediondos.

 

 

Considera-se que os sociopatas criam laços e se sentem culpados por atingirem pessoas da família ou próximo. Não acontece muito com desconhecidos. São pessoas agressivas e violentas. Possui dificuldade de relacionamento e permanência em ambiente coletivo com regras, como escola ou trabalho.

 

Impulsividade O comportamento geralmente é planejado milimetricamente, calculado, principalmente para que seus atos não sejam descobertos. A espontaneidade dos atos, ligados a agressividade e violência revelam o comportamento do sociopata. A impulsividade é característica
 

Empatia e culpa

 

Não sentem culpa ou empatia. O ato de ferir ou se aproveitar dos outros não geram nenhum sentimento nos psicopatas. Sem culpa ou empatia.

 

Possuem empatia com familiares e amigos próximos. Nesses casos os sociopatas podem sentir culpa e se importar com essas pessoas.

 

Comportamento criminal

 

Risco calculado e comportamento premeditados, escondendo evidências, podendo cometer crimes em séries com sequência programadas (serial killer) e escondendo os fatos, muitas vezes estando próximo ao local do crime, enganando as autoridades.

 

 

Deixam evidências e na maioria das vezes são de natureza impulsiva. Acontecem por atos violentos e de desentendimento. Lesão ao patrimônio público e privado é uma das principais características, além de furtos, roubo e outros crimes.

% da população  

Cerca de 1% da população geral, no mundo apresentam graus diferentes de psicopatia.

 

Cerca de 4% da população geral, apresenta graus diferentes de sociopatia, se relaciona com vulnerabilidades.

É importante conhecer essas particularidades. Os profissionais de saúde lidam com essas pessoas em diversos locais de acedências. Identificar esses elementos na sociedade é de profunda importância para proteger membros da sociedade de diversas violências possíveis que possam ser realizadas. Além disso, o enfermeiro trabalha com a população carcerária e esse conhecimento é importante, uma vez que uma das atividades que o enfermeiro necessariamente desenvolve é o acolhimento e a empatia. Compreender os quadros antissociais podem servir de recurso para o trabalho com jovens e adultos que se relacionam com o crime ou que acessem os dispositivos de saúde. Principalmente os dispositivos de saúde mental.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Gomes, C.C.; Almeida, R. M. M. de. Psicopatia em homens e mulheres. Arq. bras. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 62, n. 1, p. 13-21, abr.  2010 .
  • Masnini, L.A. Macedo F.L. Psicopatia e sociopatia: uma revisão da literatura Revista interciência – imes catanduva – V.1, Nº3, dezembro 2019
  • Muribeca, M. das M. M. Relações amorosas com psicopatas. Estud. psicanal.,  Belo Horizonte ,  n. 52, p. 119-126, dez.  2019 .
  • Soares, M.H.. Estudos sobre transtornos de personalidade Antissocial e Borderline. Acta paul. enferm. , São Paulo, v. 23, n. 6, pág. 852-858, 2010.
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Publicado por
Rafael Polakiewicz

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