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Contato pele a pele fornece muitos benefícios para bebês prematuros

Tempo de leitura: 2 min.

Recente estudo realizado na Austrália demonstrou benefícios significativos para a função cardíaca e cerebral de um bebê prematuro quando mantido em contato pele a pele com seus pais. Esses resultados estão no artigo Impact of Skin-to-Skin Parent-Infant Care on Preterm Circulatory Physiology, de Sehgal e colaboradores, publicado no Journal of Pediatrics.

Contato com bebês prematuros

Nesse estudo, o objetivo dos pesquisadores foi verificar o impacto do cuidado pele a pele entre pais e bebês na função cardíaca e no fluxo sanguíneo cerebral de prematuros. Foi realizado um estudo prospectivo com 40 bebês prematuros sem suporte ventilatório internados no Monash Medical Centre em Melbourne.

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O desempenho cardíaco e o fluxo sanguíneo cerebral foram avaliados. As avaliações foram realizadas duas horas antes do contato pele a pele e 60 minutos após o contato. Com a criança ainda no colo dos pais e virada em decúbito dorsal.

  • Os bebês tinham 30,5 ± 0,6 semanas de idade gestacional e 1.378 ± 133 g de peso ao nascer;
  • A temperatura axilar não apresentou um aumento significativo durante o contato pele a pele: de 36,7 ± 0,07 °C para 36,9 ± 0,07 °C (P = 0,07);
  • A contratilidade cardíaca [alteração de área fracionária do ventrículo direito (26,5% ± 0,3% versus 27,8% ± 0,4%; P < 0,001) e excursão sistólica do plano do anel tricúspide (0,73 ± 0,03 cm versus 0,77 ± 0,03 cm; P = 0,02)] aumentou significativamente, coincidente com medidas diminuídas da resistência vascular pulmonar;
  • Um aumento no débito cardíaco sistêmico foi associado ao aumento do fluxo sanguíneo cerebral e à redução do índice de resistência da artéria cerebral média (0,81 ± 0,02 versus 0,74 ± 0,02; P = 0,0001).

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Conclusões

Os pesquisadores reconheceram certas limitações do estudo. Foi avaliado um número relativamente pequeno de prematuros. Por razões logísticas, não foram realizadas avaliações após o contato pele a pele além de 1 hora, porque alguns pais continuam realizando o contato por um longo período de tempo. Não foram registradas nem a pressão arterial nem a saturação de oxigênio. Por fim, o profissional que realizou o ecocardiograma não estava cego quanto à intervenção nem quanto ao estudo. No entanto, Sehgal e colaboradores concluíram que houve uma melhora significativa. Tanto da função cardíaca quanto do fluxo sanguíneo regional em prematuros após o contato pele a pele.

Para os pesquisadores, os dados desse estudo fornecem uma justificativa científica para uma prática neonatal antiga e disseminada, alinhada a informações sobre estabilidade cardiorrespiratória e ritmo cardíaco alcançados com o contato pele a pele regular.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Sehgal A, et al. Impact of Skin-to-Skin Parent-Infant Care on Preterm Circulatory Physiology, The Journal of Pediatrics. 2020. DOI: 10.1016/j.jpeds.2020.03.041
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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