Coronavírus: como abordar os casos graves?

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Coronavírus são uma grande família viral, conhecidos desde meados de 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Recentemente, ocorreu a identificação do novo coronavírus (SARS-COV2) na China, com casos adicionais sendo identificados em um número crescente de países internacionalmente.

A Organização Mundial da Saúde, emitiu um documento orientando abordagem de casos de infecção respiratória aguda grave (SARI). Neste post, traremos os principais pontos para vocês.

Triagem

Esta é a primeira etapa da abordagem do paciente com infecção pelo coronavírus. É importante reconhecer e classificar todos os pacientes com SARI no primeiro ponto de contato com o sistema de saúde, geralmente a emergência. Alguns hospitais já têm colocado cartazes informativos logo na entrada do hospital para que as pessoas sinalizem rapidamente os sintomas e história epidemiológica.

Para considerarmos que o paciente tem SARI, precisamos estar diante de um caso de insuficiência respiratória aguda, com história de febre ou temperatura medida ≥ 38 °C e tosse; início nos últimos 10 dias e exigindo hospitalização. No entanto, a ausência de febre não exclui infecção viral.

Quando suspeitarmos do novo coronavírus?

Fizemos um texto no Portal utilizando as definições atualizadas do Ministério da Saúde. Checa lá!

Quais as síndromes associadas ao coronavírus?

Leia mais: Síndrome do desconforto respiratório agudo: diretriz do Annals of Intensive Care

Atenção às medidas de precaução:

É importante que haja a implementação imediata de medidas apropriadas de prevenção e controle.

As precauções padrão incluem a higiene das mãos; uso de EPI para evitar o contato direto com o sangue, fluidos corporais, secreções (incluindo secreções respiratórias) e pele não intacta. As precauções padrão também incluem a prevenção de picadas de agulha ou ferimento por objetos cortantes; gerenciamento seguro de resíduos; limpeza e desinfecção de equipamentos; e limpeza do meio ambiente.

Dê uma máscara médica ao paciente suspeito e encaminhe o paciente para uma área separada, uma sala de isolamento, se disponível.

Terapia e monitoramento precoce

A terapia do coronavírus é basicamente suporte, pois ainda não há uma medicação específica indicada. Porém, traremos algumas medidas importantes na abordagem.

1. Administre oxigenoterapia suplementar imediatamente a pacientes com SARI e dificuldade respiratória, hipoxemia ou choque.

Observações: Iniciar oxigenoterapia a 5 L/min e taxas de fluxo de titulação para atingir a SpO2 alvo ≥90% em adultos não grávidas e SpO2≥92-95% em pacientes grávidas

2. Use tratamento conservador de fluidos em pacientes com SARI quando não houver evidência de choque.

Observações: Pacientes com SARI devem ser tratados com cautela com fluidos intravenosos, pois a ressuscitação agressiva pode piorar a oxigenação, especialmente em locais onde a disponibilidade de ventilação mecânica é limitada.

3. Dê antimicrobianos empíricos para tratar todos os patógenos prováveis ​​que causam SARI.

Administre antimicrobianos dentro de uma hora da avaliação inicial do paciente, casos haja quadro séptico. A terapia empírica inclui oseltamivir para o tratamento da gripe quando existe circulação local ou outros fatores de risco, incluindo histórico de viagens ou exposição a vírus da influenza animal.

4. Não administre rotineiramente corticosteroides sistêmicos para tratamento de pneumonia viral ou SDRA, a menos que sejam indicados por outro motivo.

Veja mais sobre coronavírus:

Coleta de amostras para diagnóstico laboratorial

  1. Colete hemoculturas para bactérias que causam pneumonia e sepse, idealmente antes da terapia antimicrobiana. Não atrase terapia antimicrobiana para coletar hemoculturas.
  2. Coletar amostras do trato respiratório superior e trato respiratório inferior.
  3. A sorologia para fins de diagnóstico é recomendada apenas quando o RT-PCR não está disponível.

Tratamento da insuficiência respiratória hipoxêmica e SDRA

1. Reconhecer insuficiência respiratória hipoxêmica grave quando um paciente com dificuldade respiratória estiver com falha na oxigenoterapia padrão.

2. O oxigênio nasal de alto fluxo ou a ventilação não invasiva (VNI) devem ser usados ​​apenas em pacientes selecionados com hipoxemia.

Pacientes tratados com oxigênio nasal de alto fluxo ou VNI devem ser monitorados de perto quanto à deterioração clínica.

Implemente ventilação mecânica usando volumes correntes mais baixos (4-8 ml / kg de peso corporal previsto) e pressão inspiratória mais baixa (pressão de platô <30 cmH2O).

3. Em pacientes com SDRA grave, recomenda-se ventilação prona> 12 horas por dia.

4. Evite desconectar o paciente do ventilador, o que resulta em perda de PEEP e atelectasia.

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Abordagem ao choque séptico

  1. Na ressuscitação do choque séptico em adultos, administre pelo menos 30 mL/kg de cristaloide isotônico em adultos nas primeiras 3 horas. Não use cristaloides hipotônicos para ressuscitar.
  2. A ressuscitação com líquidos pode levar à sobrecarga de volume, incluindo insuficiência respiratória. Se não houver resposta à reposição e sinais de sobrecarga de volume (por exemplo, distensão venosa jugular, crepitações na ausculta pulmonar, edema pulmonar), reduza ou interrompa a administração de líquidos.
Take-home message:
  • Na abordagem dos casos graves de coronavírus, esteja sempre atento às medidas de isolamento e precaução;
  • Use tratamento conservador de fluidos em pacientes com SARI quando não houver evidência de choque;
  • Dê antimicrobianos empíricos para tratar todos os patógenos prováveis ​​que causam SARI. Não esqueça do oseltamivir para todos com suspeita de coronavírus;
  • Não administre rotineiramente corticosteroides sistêmicos para tratamento de pneumonia viral ou SDRA, a menos que sejam indicados por outro motivo;
  • Não use cristaloides hipotônicos para ressuscitar e atenção aos sinais de excesso de fluidos! Se surgirem, pare a ressuscitação.

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