Coronavírus: como é a transmissão do SARS-CoV-2 por aerossol e fômites?

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A nova síndrome respiratória pandêmica, denominada Covid-19, associada ao novo coronavírus SARS-CoV-2, tem surpreendido as expectativas sociais, econômicas, científicas, médicas e outras possíveis categorias em todo o mundo. Com o rápido progresso do número de casos e mortes em diferentes países, inúmeros questionamentos surgem, especialmente sobre a viabilidade do vírus no ambiente e o que favorece a transmissibilidade das partículas virais infectantes.

Transmissão do coronavírus

Estudos recentes tem sugerido que SARS-CoV-2 permanece viável em aerossol por aproximadamente três horas e em superfícies por até nove dias, o que fundamenta a teoria de que a transmissão somente por gotículas ou fômites não justificaria tal potencial de rápida disseminação do vírus em populações.

Van Doremalen e colaboradores (2020) verificaram a estabilidade do SARS-CoV-1 e do SARS-CoV-2 (Covid-19) no ambiente, e avaliaram as possíveis razões pelas quais o novo coronavírus apresenta maior transmissibilidade entre seres humanos de forma direta o indireta. Sabe-se que a carga viral infectante no trato respiratório por SARS-CoV-2 é alta, e como consequência as secreções respiratórias formam aerossóis (<5 μm) ou gotículas (>5 μm), porém, desconhecia-se a persistência dos vírus em partículas aéreas.

Foram investigadas a viabilidade de ambos os vírus citados em aerossóis em períodos de 0, 30, 60, 120 e 180 minutos por nebulização, filtração e infecção de células Vero. Ambos os vírus apresentaram estabilidade no teste durante 180 minutos com leve declínio posteriormente a esse período, com meia-vida em torno de 2,7 horas (variação de 1,65 horas para SARS-CoV-1, vs 7.24 horas para SARS-CoV-2).

Os pesquisadores no trabalho supracitado também avaliaram a viabilidade dos vírus em superfícies por até 7 dias, utilizando parâmetros de umidade e temperatura semelhantes aos ambientes domiciliares e hospitalares. O novo coronavírus apresentou maior estabilidade em plástico e aço inoxidável, com manutenção da viabilidade por até 72 horas, e com perfis de persistência distintos como pode ser visto na tabela abaixo.

Tabela 1. Meia-vida dos coronavírus em superfícies (van Doremalen e cols, 2020).

Superfície SARS-CoV-2 (hr) SARS-CoV-1 (hr)
Cobre 3,4 3,76
Papel cartão 8,45 1,74
Aço 13,1 9,77
Plástico 15,9 17,7

Kampf e cols (2020) realizaram uma revisão sistemática sobre as propriedades biológicas e persistência dos diferentes tipos de coronavírus já descritos e infectantes para seres humanos (SARS-CoV-1, MERS, HCoV e outros) e verificaram que esse grupo de agentes infecciosos pode persistir sobre superfícies inanimadas como metal, vidro ou plástico por até 9 dias. Porém, podem ser eliminados facilmente das superfícies com o uso de etanol 62-71%, peróxido de hidrogênio 0,5% ou hipoclorito de sódio 1% em até 1 minuto de exposição. Outros desinfetantes como clorexidina 0,02% ou cloreto de benzalcônio 0,05-0,2% são menos efetivos.

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Conclusões

Tais resultados indicam que a transmissão horizontal do SARS-CoV-2 por aerossol ou fômites é plausível
Adicionalmente, Cai e cols. (2020) investigaram a ocorrência de cluster de casos de Covid-19 em um centro comercial (shopping mall) de oito andares em Wenzhou, China, cuja transmissão provavelmente só poderia ser explicada por disseminação por aerossol em espaço fechado ou contaminação de objetos comuns.

Outros detalhes sobre os recentes estudos que sustentam a transmissão de SARS-CoV-2 por aerossol e fômites podem ser observados nos artigos citados abaixo.

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Referências bibliográficas:

  • Cai J, Sun W, Huang J, Gamber M, Wu J, He G. Indirect Virus Transmission in Cluster of COVID-19 Cases, Wenzhou, China, 2020. Emerg Infect Dis. 2020 Mar 12;26(6).
  • Kampf G, Todt D, Pfaender S, Steinmann E. Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. J Hosp Infect. 2020 Mar;104(3):246-251.
  • van Doremalen N, et al. Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. 2020. The New England Journal of Medicine doi: 10.1056/NEJMc2004973
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