Coronavírus: como se proteger de lesões pelo uso de EPI?

Tempo de leitura: 3 min.

Durante a pandemia de coronavírus, os profissionais de saúde têm sido bastante exigidos. Carga horária elevada, preocupações em se contaminar e medo de infectar seus familiares. Outro ponto que tem chamado bastante atenção, são as lesões na pele causadas pelo uso constante de equipamento de proteção individual (EPI). Neste post, falaremos de estratégias para nos protegermos das lesões.

A OMS reconhece a necessidade da utilização de máscara de proteção respiratória, porém chama a atenção para que esta não seja utilizada por um período maior que 4h seguidas, devido ao incômodo decorrente da sua utilização.

Nos meus plantões em unidades Covid, ficou evidente que a curto prazo estas lesões podem me trazer problemas, além de sentir dores durante o plantão, tenho ficado com marcas horas após retirar o equipamento. Nas redes sociais, podemos ver várias pessoas com relatos parecidos.

Acervo pessoal

Eritema, pápulas, macerações e descamação são as alterações cutâneas mais comumente relatadas devido ao uso prolongado de EPI. Os sintomas incluem queimação, prurido e picadas. Tais achados foram atribuídos ao uso de EPI em 97,0% dos 542 profissionais de saúde da linha de frente em um artigo publicado na revista Clinics in Dermatology. Os locais de pele mais comumente afetados foram a região nasal.

O contato prolongado com máscaras e óculos de proteção pode causar uma variedade de doenças cutâneas que variam de urticária de contato e pressão ou dermatite de contato até agravamento de dermatites preexistentes.

Leia também: Coronavírus na prática: orientações gerais para profissionais de saúde

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Lesões por EPI durante coronavírus

Um grupo do Hospital Sírio Libanês, publicou um artigo com orientações sobre como prevenir as lesões, as principais são:

  1. Higienizar a pele com sabonete líquido, de preferência com pH compatível com a pele (levemente acidificado) e hidratar a pele com produto cosmético (creme hidratante) sem presença de lipídeos;
  2. Aplicar uma cobertura profilática como interface entre a pele e a área de fixação da máscara (quando esta for utilizada por um longo período, especialmente na região do zigomático e osso nasal), tais como: espuma de poliuretano fina, silicone, filme transparente ou placas de hidrocoloide extrafino. No meu primeiro plantão com EPI por 24h, utilizei micropore, que era o que havia disponível e já ajudou bastante;
  3. Programar minutos de alívio de pressão, mediante possibilidade de retirada da máscara, a cada 2 h. (Difícil na correria, ne?!);
  4. Inspecionar a pele frequentemente e atentar-se aos sinais de dor, desconforto, hiperemia e lesões. Às vezes algumas atitudes simples já aliviam a dor. Por exemplo, depois de umas 3h no plantão, reparei que a alça da máscara estava pressionando minha orelha, só ajustei a posição e não tive nenhum problema nesta região;
  5. Evitar colocar a máscara e outros EPIs sobre áreas de lesões de pele, eczema ou hiperemia, sem o devido tratamento tópico prévio.

Assista também: Coronavírus: o que fazer se a máscara n95 acabar? [vídeo]

Mensagem prática

  • Neste período de pandemia, os profissionais de saúde têm sido reconhecidos como heróis. Porém, não podemos nos desligar do autocuidado. Mesmo diante de toda a correria e pressões a que estamos submetidos, precisamos colocar nossa própria saúde como prioridade;
  • Há formas de reduzir o desconforto e as lesões por pressão. Hidratar a pele, colocar cobertura profilática e programar períodos de alívio de tensão já medidas que podem ajudar muito a rotina dos profissionais em tempos de pandemia.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Ramalho AO; Freitas PSS; Nogueira PC. Lesão por pressão relacionada a dispositivo médico nos profissionais de saúde em época de pandemia. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 18: e0120; 2020. https://doi.org/10.30886/ estima.v18.867_PT
    Razvigor Darlenski; Nikolai Tsankov, MD. Covid-19 pandemic and the skin – What should dermatologists know? Clin Dermatol. 2020 Mar 24. doi: 10.1016/j.clindermatol.2020.03.012
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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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