Coronavírus e câncer: quais os riscos e prognóstico desses pacientes?

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Pacientes com câncer costumam apresentar imunossupressão, seja pela própria doença, seja pelo seu tratamento, o que os torna mais suscetíveis a infecções. O número de indivíduos infectados pelo coronavírus vem aumentando em todo o mundo, e pensar que pacientes oncológicos possam ter maior risco e pior prognóstico é algo lógico.

Recente estudo publicado na revista The Lancet analisou características de 1.590 casos de infecção pelo vírus até 31 de janeiro de 2020, a fim de avaliar a relação da doença com o câncer.

Coronavírus e câncer

Dezoito pacientes tinham história de câncer, e o principal sítio da doença foi o pulmão (28%). Observou-se que 25% dos indivíduos haviam sido submetidos à quimioterapia ou cirurgia no período de 30 dias anterior à infecção, e os demais (75%) encontravam-se em seguimento após tratamento com intenção curativa.

Leia também: Doação de sangue: atualização dos critérios após epidemia de coronavírus

Comparando-se com a população sem câncer, a mediana de idade (63 anos x 48 anos), a prevalência de tabagismo (22% x 7%), a frequência de polipneia (47% x 23%) e a gravidade das alterações tomográficas ao diagnóstico (94% x 71%) foram maiores entre os 18 pacientes com história de neoplasia maligna. Além disso, a evolução foi pior nesse grupo de infectados: maior taxa de admissão em unidade de tratamento intensivo, de necessidade de ventilação mecânica e de óbito (39% x 8%).

Como era de se esperar, os indivíduos submetidos à quimioterapia ou cirurgia no último mês tiveram desfechos piores do que aqueles com história pregressa de câncer.

O estudo mostra que história de câncer representou o principal fator de mau prognóstico e que, entre os pacientes com câncer, a idade avançada foi o único fator de risco para admissão em unidade de tratamento intensivo, necessidade de ventilação mecânica e óbito.

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Conclusões

Tendo em vista os resultados apresentados, os autores propõem três estratégias para reduzir os riscos dos pacientes oncológicos durante a epidemia de coronavírus:

  • Avaliar a possibilidade de adiar quimioterapia ou cirurgia em pacientes estáveis, em áreas endêmicas;
  • Reforçar a importância das medidas de proteção, como lavagens frequentes e adequadas das mãos;
  • Considerar vigilância e tratamento mais intensivos para indivíduos com câncer e infecção pelo coronavírus, especialmente idosos ou com outras comorbidades.

Vale ressaltar que este foi o primeiro estudo sobre o tema e, portanto novos estudos são necessários para melhor entendimento da infecção pelo coronavírus.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Liang, Wenhua, et al. “Cancer patients in SARS-CoV-2 infection: a nationwide analysis in China.” The Lancet Oncology (2020).
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Publicado por
Lívia Pessôa de Sant'Anna

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