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Coronavírus e fatores de risco… para a economia mundial

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Que as epidemias e os surtos de doenças raras têm um grande impacto global, midiático e deixando muitos de nós (como médicos e como pacientes) de alerta, nós já sabemos. Entretanto, algo que talvez você ainda não havia percebido é o impacto que estes eventos têm na economia.

Coronavírus e economia

O surto recente de infecção pelo coronavírus se comportou de forma semelhante a um cisne negro no cenário econômico mundial, com grande reflexo na B3, a bolsa de valores brasileira. Até então, já são confirmados mais de 9.900 casos, em 22 países.

Segundo Nassim Taleb, um dos pensadores de maior influência e autoridade no mercado financeiro, os cisnes negros se tratam de eventos muito raros, imprevisíveis e que geram consequências extremas.

Nesta semana, a bolsa de valores brasileira exibiu uma grande tendência de baixa, tendo registrado a maior queda nos últimos 10 meses. Os acontecimentos recentes contrariam uma tendência otimista notada recentemente, com grandes ascensões e recorrentes quebras de barreiras históricas.

No fechamento do pregão da segunda-feira 27/01, o IBOV chegou a 114.481,74 pontos, totalizando uma queda de 3,29%. O último fechamento de impacto negativo semelhante foi registrado há cerca de 10 meses. A queda de 27/01 foi suficiente para reverter parte dos ganhos de 2020 e modicar a tendência atual em –1,01%.

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Os setores de maior impacto até então foram o de exportações, devido às consolidadas relações com a China e demais países asiáticos, atreladas à globalização, e o de saúde, diante da possibilidade de chegada do vírus ao Brasil, com a permanência de receita inalterada. No contexto americano, quedas foram notadas em empresas do setor turístico e hotelaria.

Maiores impactos foram notados no mercado asiático, epicentro dos eventos atuais. O índice Nikkei, acionário japonês, teve queda de 2,03%, maior queda percentual desde agosto de 2019.

O período foi fator crítico no ciclo da doença. Em vigência do Ano Novo Lunar, iniciado em 25/01, o grande fluxo turístico asiático tem grandes proporções. Como tentativa de contenção da disseminação, o governo chinês prolongou a duração do feriado de Ano Novo Lunar, prorrogado até o dia 2. A extensão do feriado também se aplica ao mercado financeiro, que voltará às negociações apenas em 03/02/2020.

Veja também: Coronavírus: como identificar possíveis casos no Brasil?

Figurinha repetida

Previamente ao surto atual de coronavírus, já haviam sido presenciadas diversas epidemias virais importantes de surgimento e disseminação na China nas últimas décadas.

Em 1957, o surto de gripe asiática, com primeiros casos detectados na província de Guizhou foi responsável pela pandemia mais importante após a gripe espanhola de 1918, com uma estimativa de 1 milhão de óbitos pela doença.

Em 1968 a cena foi tomada pelo vírus da gripe tipo A, no quadro então conhecido como gripe de Hong Kong. Antes da disseminação global, afetou cerca de 15% da população local, totalizando também cerca de 1 milhão de óbitos.

Em 1997 foi a vez da gripe aviária. Causou seis vítimas fatais neste ano, e em 2003 reapareceu no sudeste da Ásia, causando mais vítimas.

Em 2002, a epidemia por SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) paralisou a Ásia. Foi considerada pela OMS como uma das mais graves então, tendo requerido medidas de contenção drásticas, como quarentena dos suspeitos, isolamento compulsório dos doentes, interrupção do calendário escolar, interposição de barreiras ao trânsito e fluxo de pessoas e paralisação da economia durante cerca de três meses. Das 774 mortes, 349 ocorreram na China.

Epidemiológica e culturalmente, há algum sentido para estas recorrências.

Na China e em outros países asiáticos, é comum o comércio de carnes frescas nos conhecidos “Mercados Molhados”. A diversidade de espécimes é grande, são comercializados desde carnes de animais comuns a exóticos e silvestres. Diante da preferência pelo frescor, muitos dos animais são trazidos vivos, e abatidos no momento da venda. Os resíduos ficam espalhados, sem descarte ideal, e é comum fluxos de água para direcionamento das sobras e eliminações fisiológicas dos animais para os ralos. São ambientes extremamente propícios para a proliferação e disseminação de doenças infectocontagiosas, atrelados à uma retroalimentação dos próprios costumes locais.

Wuhan, a cidade de suspeita da origem da nova cepa, não é equiparável em proporção a Pequim ou Xangai, ocupando, entretanto, a posição de 7ª maior cidade da China, e 42ª do mundo. Sua localização central a torna estratégica para conexões com outras cidades chinesas, e mesmo do mundo. O aeroporto de Wuhan possui voos diretos para grandes capitais mundiais, e transporta alguns milhões de passageiros por ano. Conta com importantes zonas industriais, tem porte educacional que conta com cerca de 700.000 estudantes do ensino superior. É também porta de entrada para Três Gargantas, região turística com grande fluxo de visitantes.

Ouça nosso podcast! Falamos sobre tudo o que o profissional de saúde precisa saber sobre o novo surto!

Por que falar de economia?

A Economia é intrinsecamente sensível a movimentos globais. Eventos em saúde podem influenciar os movimentos de mercado financeiro, dado o peso de empresas associadas às bolsas mundiais que se enquadram nesse setor tão perene. Sem contar nos demais setores que acabam influenciando conjuntamente: transportes, exportações, materiais básicos, etc.

Porém, o ponto aqui não é apenas economia em si.

O quadro atual pelo coronavírus vem mostrando o grande potencial de impacto de grandes surtos epidêmicos, em diversas áreas, que nem sempre são o ponto nevrálgico de nossa atenção. É um alerta para a importância do papel epidemiológico em espectro tanto global quanto individual.

O aperfeiçoamento continuado, atualizações constantes e busca pelo desconhecido já são de certa forma inerentes ao médico. E o bonito é isso: a medicina, às vezes, pode salvar mais do que vidas.

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Um comentário

  1. Avatar

    Muito bom!

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