Coronavírus na gravidez: um novo paradigma

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Até fevereiro de 2018, 2143 casos de Síndrome respiratória do Oriente Médio (SEM Cov), tinham sido relatados pela OMS. incluindo 750 mortes em 10 países. Desses 10 casos eram em gestantes.

Em 31 dezembro de 2019, as autoridades de saúde chinesas reportaram casos de pneumonias graves, fatais na cidade de Wuhan (cidade de 11 milhões de pessoas na República Popular da China) produzidos por um novo subtipo de coronavirus (Covid-19), que rapidamente disseminou-se para outras partes da China, Tailândia e Japão.

Com a globalização e pessoas viajando pelo ar, novos casos disseminaram-se para outras cidades, países e continentes.

O que sabemos sobre os coronavírus?

Coronavírus são os maiores RNA vírus de cadeia envelopada. Tem vários hospedeiros animais (pássaros, camelos, morcegos, animais de estimação) causando doenças gastrointestinais e respiratórias. Existem quatro gêneros de coronavírus – Alphacoronavirus, Betacoronavírus, Deltacoronavírus e Gamma coronavirus. Em seres humanos acreditava-se serem causadores de doenças respiratórias leves como resfriados em adultos e crianças. No entanto, dois subtipos estão relacionados com doenças respiratórias graves: o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV) e o coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV). Ambos podem infectar mulheres grávidas. Ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para esses novos coronavírus.

Com as mudanças fisiológicas do sistema imune da gestante (imunidade celular reprimida) os quadros pulmonares se tornam mais graves. Requerendo internações frequentemente. Durante os anos de 1918-19 no surto da pandemia influenza, 27% gestantes evoluíram com óbitos por pneumonia, em 1957-58 no surto de gripe asiática 10% de todas as mortes ocorreram em gestantes.

Em 2003, um surto iniciando na região asiática dizimou 30% das gestantes infectadas pelo SARS-Cov. Entre 2012-16 o mundo enfrentou a pandemia da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, onde quadros respiratórios oriundos da Península Arábica acometeram cinco gestantes, com um caso fatal.

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O que falta saber?

Em 5 de fevereiro de 2020 foi relatado o primeiro nascimento de bebê infectado pelo novo coronavírus 2019, que infectava a mãe também, indicando a possibilidade de transmissão vertical, fato que não acontecia nas outras pandemias. Ainda não sabemos se trata-se de transmissão vertical realmente ou o fato ocorreu por contato com outros infectados no hospital onde se deu o parto e se a infecção foi adquirida antes, durante ou após o parto. Já que apenas temos testagem positiva sem conseguir precisar o momento do contágio.

Pouco se sabe ainda sobre a fisiopatologia, formas de contágio durante a gravidez – apenas sabemos o que o mundo já viu nas epidemias anteriores (SARS e MERS). Diferentemente do ebola e zika, coronavírus tem baixa transmissibilidade vertical (não há registros ainda os casos suspeitos são provavelmente contaminações com pessoal doente, parentes ou profissionais da saúde)

Ainda precisamos saber como esse novo coronavírus 2019 interage com a gestante, quais fatores moduladores da infecção , os efeitos das medicações no feto, diferenças nas respostas imunológicas, ocorrências de outras patologias associadas e outras variáveis. Entretanto, gestantes com doença respiratória deve ser considerada de altíssimo risco para doença grave e potencialmente fatal.

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Referências bibliográficas:

  • Schwartz, & Graham. (2020). Potential Maternal and Infant Outcomes from (Wuhan) Coronavirus 2019-nCoV Infecting Pregnant Women: Lessons from SARS, MERS, and Other Human Coronavirus Infections. Viruses, 12(2), 194. doi:10.3390/v12020194.
  • Ryu S, Chun BC; Korean Society of Epidemiology 2019-nCoV Task Force Team. An interim review of the epidemiological characteristics of 2019 novel coronavirus. Epidemiol Health. 2020;42:e2020006. doi:10.4178/epih.e2020006.
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