Coronavírus: quase metade dos internados em UTIs americanas tem menos de 65 anos

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Os americanos mais velhos ainda correm maior risco de morrer pela Covid-19. No entanto, 38% dos pacientes americanos que foram hospitalizados por causa da doença tinham entre 20 e 54 anos, e quase metade dos internados em terapia intensiva unidade era formada por adultos com menos de 65 anos, informaram os centros de controle e prevenção de doenças (CDC) em um relatório no dia 18 de março.

Coronavírus nos EUA

O documento analisou 508 dos 2.449 pacientes americanos com coronavírus. A alta taxa de hospitalização de jovens adultos corresponde às estatísticas relatadas na França e na Itália.

De acordo com o relatório, adultos de todas as idades correm o risco de adoecer com o coronavírus: dos 2.449 pacientes examinados, 6% tinham 85 anos ou mais, 25% possuíam 65 a 84 anos, 29% tinham entre 20 e 44 anos e 5% possuíam 19 anos ou menos, disse o CDC. As pessoas de 20 a 44 anos representaram 20% dos pacientes hospitalizados e 12% dos pacientes de UTI.

“Não serão apenas os idosos. Haverá pessoas com 20 anos ou mais. Eles precisam ser cuidadosos, mesmo que pensem que são jovens e saudáveis. Se tantas pessoas mais jovens estão sendo hospitalizadas, significa que há muitos jovens na comunidade que estão andando com a infecção, colocando em risco as pessoas mais velhas e mais doentes”, disse Stephen S. Morse, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Mailman, da Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos.

Os autores do estudo esclareceram que essa é apenas uma análise preliminar da primeira onda significativa de casos nos Estados Unidos, que não inclui pessoas que voltaram da China ou do Japão.

O documento não inclui informações se os pacientes de qualquer uma das idades apresentavam fatores de risco, como doenças crônicas ou um sistema imunológico comprometido.

“Esses dados preliminares também demonstram que doenças graves que levam à hospitalização, incluindo internação na UTI e morte, podem ocorrer em adultos de qualquer idade com Covid-19″, concluíram os autores do estudo.

As conclusões deste relatório estão sujeitas a, no mínimo, cinco limitações. Primeiro, faltavam dados para as principais variáveis ​​de interesse. Informações sobre idade e resultados, incluindo hospitalização, internação na UTI e óbito, estavam ausentes em 9% a 53% dos casos, o que provavelmente resultou em uma subestimação desses resultados.

Em segundo, é necessário mais tempo para acompanhamento para determinar os resultados entre os casos ativos. Em terceiro lugar, a abordagem inicial do teste foi identificar pacientes entre aqueles com histórico de viagens ou pessoas com doenças mais graves, e esses dados podem superestimar a prevalência de doenças graves. Em quarto, dados sobre outros fatores de risco, incluindo sérias condições de saúde subjacentes que podem aumentar o risco de complicações e doenças graves, não estavam disponíveis no momento desta análise.

E, finalmente, testes limitados até o momento sublinham a importância da vigilância contínua dos casos Covid-19. Investigações adicionais devem aumentar o entendimento sobre os risco de doenças graves e morte pela doença, além de orientações clínicas e medidas de mitigação com base na comunidade.

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Situação do Brasil

No Rio de Janeiro, a morte de um homem de menos de 30 anos, com sintomas compatíveis com a doença pelo coronavírus, está sendo investigada. Ele não havia sido testado para SARS-CoV-2, por isso ainda há necessidade de aguardar o laudo. Este pode ser um dos primeiros casos divulgados de pessoa jovem grave sem fatores de risco no país.

Apesar disso, pessoas com menos de 65 anos, com comorbidades, também estão sendo vítimas da doença no Brasil. A primeira morte registrada no estado do Amazonas, na terça-feira, 24, é de um homem com 49 anos. O paciente, morador do município de Parintins, foi internado no sábado por agravamento da Covid-19, e teve uma parada cardiorrespiratória no domingo. Após estabilização do quadro, porém, o paciente voltou a agravar na terça-feira, quando morreu.

No estado de São Paulo, entre as 40 mortes divulgadas está uma mulher de 48 anos que, assim como o paciente do Amazonas, tinha comorbidades. Não existem dados divulgados sobre as idades das pessoas internadas no país, mas é um momento de precaução.

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Conclusão

Pesquisadores de todo o mundo estão observando uma maior taxa de hospitalização entre jovens adultos em comparação com os adolescentes, e comparativamente mais deles acabam na UTI. As taxas de mortalidade ainda são baixas, mas os óbitos acontecem. A prevenção é necessária para todas as idades!

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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