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Corticoide tópico: Pode ser usado no tratamento de conjuntivite aguda?

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A conjuntivite é uma condição ocular comum, que atualmente é responsável por 1% de todos os atendimentos primários nos Estados Unidos. Pode ser infecciosa (causada por vírus ou bactérias) ou não infecciosa (alérgica, mecânica, tóxica, imunomediada e neoplásica). A conjuntivite adenoviral é a maior causa de conjuntivite infecciosa aguda em adultos, sendo geralmente autolimitada e não necessita de tratamento antibiótico.

corticoide no tratamento de conjuntivite

Tipos de conjuntivite e tratamentos

A conjuntivite bacteriana responde por grande parte dos casos em crianças e quando leves, geralmente se resolvem espontaneamente. Apesar disso, o tratamento antibiótico é associado a resolução mais rápida do quadro e é normalmente instituído. A conjuntivite alérgica é tipicamente tratada com antialérgicos, mas se os sintomas persistirem, a terapia com corticoides tópicos pode ser adotada. Apesar dos corticoides serem amplamente usados nos tratamentos de inflamações oculares, o uso em conjuntivites infecciosas é discutido e um artigo publicado na Cornea em 2019 discutiu as evidências relacionadas ao uso.

Corticoides são bem conhecidos por serem efetivos e terem ação anti-inflamatória rápida, melhorando o edema e o desconforto. O uso de um corticoide isolado porém pode  por exemplo reativar e potencializar uma infecção por herpes simples. O uso de uma combinação de corticoide e antiséptico (ex: iodopovidona) em conjuntivites bacterianas tem potencial para tratar a inflamação e a infecção em alguns casos e tem sido estudada. Portanto, se faz necessário diferenciar a conjuntivite bacteriana da conjuntivite viral para indicarmos o tratamento mais adequado.

Os guidelines da Academia Americana de Oftalmologia listam os corticoides como uma opção de tratamento, porém, sugerem cuidado no seu uso. O uso indiscriminado deve ser evitado, já que existe um potencial de prolongar uma infecção adenoviral ou piorar uma infecção por herpes simples. Além disso, pacientes em uso de corticoide por longos períodos devem ser monitorados em relação a pressão intraocular e a formação de catarata. 

Estudos

O Colégio de Optometristas do Reino Unido lista o corticoide como um fator predisponente em relação à conjuntivite bacteriana. Uma revisão da literatura sobre os desfechos adversos associados ao uso por curto e longos períodos mostrou que a maioria dos desfechos é relacionado ao aumento da pressão intraocular, geralmente associada ao uso mais prolongado (tipicamente maiores que 2 semanas). 

Quando utilizado isoladamente, o corticoide tópico está associado a um aumento da replicação viral e infecção. O efeito imunossupressor e anti-inflamatório dos corticoides inibe o clearance viral normal pelo sistema imune. Quando usado com agentes anti-infecciosos, são bem tolerados e eficazes ao tratar condições inflamatórias associadas com infecções virais e bacterianas. 

Leia também: A ceratoconjuntivite pode ser a apresentação inicial do novo coronavírus?

Esteróides tópicos podem também reativar vírus herpes simples latentes na ausência de doença epitelial ativa. O herpes simples é uma causa menos frequente de conjuntivite aguda mas pode ser indistinguível de uma conjuntivite adenoviral. Porém, alguns estudos experimentais não mostraram aumento da produção de herpes simples após uso de corticoide e um estudo randomizado placebo controlado de uso de dexametasona 0,1% para o tratamento de conjuntivite folicular aguda mostrou melhora do quadro sem sérias complicações ou sinais de HSV.  Estudos maiores são necessários para solucionar essa questão.

Considerações sobre o corticoide

Em casos selecionados, o uso de corticoides em combinação com anti-infecciosos/antisépticos como antibióticos e/ou iodopovidona tem o potencial de melhora da infecção e componentes inflamatórios em uma conjuntivite infecciosa aguda. Em conjuntivites sabidamente virais porém o uso na fase viral pode prolongar a replicação viral, sendo o uso de corticoide indicado para a fase posterior, quando surgem as complicações imunes como a pseudomembrana e o infiltrado adenoviral. 

Autora:

 

Referência bibliográfica:

  • Holland, Edward J. MD*; Fingeret, Murray OD; Mah, Francis S. MD Use of Topical Steroids in Conjunctivitis: A Review of the Evidence, Cornea: August 2019 – Volume 38 – Issue 8 – p 1062-1067 doi: 10.1097/ICO.0000000000001982

 

 

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