Coronavírus

Covid-19: Agência europeia sugere encurtar intervalo entre as doses da AstraZeneca

Tempo de leitura: 3 min.

O intervalo entre as doses da vacina Vaxzevria, desenvolvida pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca, deve ser encurtado por conta da predominância das novas variantes no continente, segundo a sugestão da Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

“Observamos, com base nos dados do Reino Unido, que a primeira dose da vacina da AstraZeneca é eficaz contra a variante Delta, mas uma segunda dose aumentou a proteção de maneira significativa. Visto que a proteção com a primeira dose é baixa no confronto com a variante Alpha, que estamos vendo circular muito na Europa, seria importante que o intervalo entre as duas doses fosse encurtado”, disse Marco Cavaleri , chefe da Estratégia de Vacinas e de Ameaças Biológicas à Saúde da EMA, em uma coletiva de imprensa realizada recentemente.

Saiba mais: Anvisa recomenda suspender aplicação de vacina da AstraZeneca em grávidas

A cepa Alpha (B.1.1.7) do novo coronavírus foi detectada inicialmente no Reino Unido. Já a Delta (B.1.167.2) foi localizada pela primeira vez na Índia.

Atualmente, diversos países prorrogaram o prazo de aplicação entre as duas doses para três meses, mas os testes iniciais previam a administração da segunda dose após 28 dias.

Na Irlanda

Na Irlanda, o intervalo entre as doses da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 deve ser reduzido em uma base gradual, segundo anunciou o ministro da saúde, Stephen Donnelly. No entanto, o plano de reduzir o intervalo em etapas de 12 para oito semanas depende do abastecimento.

 “A redução no intervalo entre as doses desta vacina irá beneficiar mais de 400 mil pessoas que estão esperando uma segunda dose e que agora terão a proteção de serem totalmente vacinadas mais cedo”, disse Stephen Donnelly

De acordo com a abordagem em fases que está sendo adotada, aqueles que receberão uma segunda dose de AstraZeneca nos próximos quinze dias, de acordo com o cronograma existente de 12 semanas, irão recebê-la conforme o planejado.

O anúncio do ministro segue uma recomendação do Comitê Consultivo Nacional de Imunização do país de que pessoas de qualquer idade que receberam a primeira dose da vacina devem receber a segunda dose de oito a 12 semanas depois.

Leia também: Vacina da Janssen contra Covid-19 chega ao Brasil: quais os principais efeitos colaterais?

No Brasil

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, afirmou, em entrevista à rede de televisão CNN Brasil, que não é o momento de discutir a redução do intervalo entre as duas doses da vacina da AstraZeneca/Oxford ou de outras para acelerar a imunização.

“O intervalo que hoje é usado para a vacina da AstraZeneca é de bula, é o inicial, sempre foi de 12 semanas. O motivo para isso não é empurrar a segunda dose para depois, mas é porque é mais eficaz. Então, não existe discussão para mudar isso”, explicou Isabella Ballalai, acrescentando que não dá para mudar a estratégia de vacinação acreditando no cronograma, porque ele atrasa.

“Em resultados obtidos no Reino Unido, onde a vacina está sendo muito utilizada, uma dose teve uma eficácia de 90% para formas moderadas da doença, e 95% para forma grave e óbitos”.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Úrsula Neves

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