Covid-19: atualizações sobre a coleta, tipo de amostras, armazenamento e envio do material para a RT-PCR

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Uma das etapas mais importantes, no que se refere aos exames laboratoriais, corresponde a fase pré-analítica da realização dos mesmos. Essa é a etapa com maior potencial de erros, já que ela é altamente dependente de trabalho/processos manuais, sendo assim, muitas vezes, de difícil fiscalização, controle e rastreabilidade pelo Laboratório Clínico.

Essa fase corresponde desde a indicação do exame, passando pela utilização de adequados insumos e materiais, período e forma de coleta, identificação/dados do paciente, armazenamento/acondicionamento, transporte da amostra biológica, até que ela seja analisada propriamente dita. Em linhas gerais, estima-se que 70% de todos os erros de laboratório estejam direta ou indiretamente relacionados a esta etapa.

A reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR) em tempo real é uma técnica molecular altamente sensível e específica, considerada, desde o início da pandemia, a metodologia padrão ouro para o diagnóstico da Covid-19. Apesar de toda sua qualidade, tecnologia e precisão, o desempenho analítico da RT-PCR é altamente dependente dessa fase pré-analítica.

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Coleta da amostra biológica

A coleta de amostras respiratórias só deve ser realizada por profissionais devidamente treinados e com EPIs (equipamentos de proteção individuais) adequados para precauções padrão, de contato e de aerossóis (luvas, avental, proteção ocular, gorro e máscara N95/PFF2).

De rotina, amostras de secreção das vias aéreas superiores (nasofaringe e/ou orofaringe) são as recomendadas, de preferência combinadas. No caso da coleta nos dois locais com swabs distintos, os mesmos devem ser acondicionados no mesmo frasco para o transporte. Em comunidades onde há escassez de recursos, é aceita a coleta em apenas um dos locais (nessa situação, deve-se priorizar o swab de nasofaringe).

Amostras do trato respiratório inferior (escarro, aspirado traqueal, lavado broncoalveolar) apresentam uma melhor sensibilidade quando comparadas às do trato respiratório superior. Dessa forma, elas também podem ser utilizadas como uma alternativa, devendo-se respeitar todas as condições de biossegurança que esse tipo de coleta requer.

O SARS-CoV-2 já foi isolado em outros tipos de materiais (ex.: saliva, fezes, sangue), entretanto, até o momento, a dinâmica viral nesses tipos de amostras ainda não está bem estabelecida, sendo necessário maiores estudos e dados de validação para a sua ampla utilização.

Armazenamento e transporte

Logo após a coleta, as amostras respiratórias deverão ser acondicionadas sob refrigeração (2 a 8 °C), e enviadas para o Laboratório Clínico, de modo que o prazo máximo para o seu processamento deverá ser de até 72 horas. Caso se verifique a possibilidade, ou não se possa garantir que a amostra seja processada dentro desse período, o material deverá ser mantido congelado a -70 °C ou menos, maximizando assim a sua integridade e estabilidade.

O transporte desse material deverá seguir as recomendações da ANVISA para o transporte de materiais biológicos, por meio de um sistema de embalagem tripla básica.

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Conclusão

Devido a sua alta especificidade, uma RT-PCR positiva confirma a detecção do SARS-CoV-2. No entanto, especialmente, porém não exclusivamente, quando os procedimentos adequados da fase pré-analítica não são respeitados, resultados falso negativos podem ocorrer, gerando interpretações e condutas equivocadas.

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