Covid-19: Como cuidar de pacientes com alto risco de doenças cardiovasculares?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O distanciamento social imposto pelas altas taxas de transmissão da Covid-19 resultou em uma mudança nos padrões de atendimento dos serviços de saúde. Ao mesmo tempo em que as unidades precisaram se adaptar para absorver casos de Covid-19, elas também experimentaram uma diminuição do movimento de outros pacientes, como os portadores de condições crônicas de saúde. Esse efeito vem sendo sentido de maneira importante nas unidades de Atenção Primária à Saúde.

Acompanhamento de doenças crônicas durante a pandemia

As doenças crônicas, entretanto, necessitam de acompanhamento médico para não cursarem com descompensações. No contexto da atual pandemia, é preciso que se desenvolvam estratégias que permitam tanto o cuidado ao grupo de pacientes com doenças crônicas, quanto a proteção e a prevenção à Covid-19, mantendo, dentro do que for possível, o isolamento social.

Você pode encontrar mais detalhes das condutas no Whitebook! O conteúdo Covid-19 na APS está liberado gratuitamente durante a pandemia!

Pacientes com alto risco cardiovascular representam uma parte considerável desse grupo, com o adequado controle de sua doença de base podendo representar o diferencial para preservar ou não sua vida. Dentro desse escopo, um estudo publicado no periódico American Journal of Preventive Cardiology sumariza 8 pontos como recomendações para o manejo desses pacientes diante das limitações impostas pelo período de pandemia.

São eles:

  1. Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina e os Bloqueadores de Receptores de Angiotensina devem ser continuados em pacientes que já fazem uso dessas medicações. Não há recomendação de iniciar esses medicamentos a não ser diante de indicações clínicas, como hipertensão ou diabetes.
  2. Quando possível, é fortemente recomendado que se prefira a realização de teleconsultas em vez de adiar consultas presenciais.
  3. Os pacientes devem ser aconselhados a relatar imediatamente sintomas cardíacos, devendo ser avaliados prontamente em caso de sintomas graves.
  4. Barreiras de acesso à medicação devem ser revistas, de maneira a garantir o uso contínuo pelo paciente.
  5. O trabalho em equipe deve ser reforçado para a manutenção das recomendações dos protocolos clínicos e das orientações de estilo de vida.
  6. A atividade física deve ser promovida e estimulada. Seguindo o adequado distanciamento social quando realizada ao ar livre e com as diversas recomendações de exercícios em casa.
  7. Os profissionais de saúde devem avaliar as opções de alimentos disponíveis para os pacientes e recomendar opções alimentares adequadas e adaptadas ao momento.
  8. Implementar estratégias adaptadas para reabilitação cardíaca em casa, para garantir a continuidade desse processo.

Mais do autor: Covid-19: quais as orientações para os atendimentos das equipes dos Consultórios na Rua?

Conclusão

A avaliação criteriosa da relação risco-benefício deve estar presente no manejo de todos os pacientes com alto risco cardiovascular durante a pandemia. O desafio da manutenção dos cuidados a todos os pacientes nesse contexto é novo e o uso da tecnologia é uma alternativa para diminuir os impactos do distanciamento social. As orientações não farmacológicas — que podem ser realizadas em atendimentos à distância — se destacam, mais do que nunca, como estratégias essenciais no objetivo de reduzir os riscos de desfechos desfavoráveis potencialmente fatais como os cardiovasculares.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Khera, Amit et al. Continuity of care and outpatient management for patients with and at high risk for cardiovascular disease during the COVID-19 pandemic: A scientific statement from the American Society for Preventive Cardiology. American Journal of Preventive Cardiology. Volume 1, March 2020, 100009
Relacionados