Covid-19: Como saber se o paciente possui comorbidades que podem evoluir mal?

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Em meio à pandemia do novo coronavírus em que estamos vivendo, profissionais de saúde se deparam com mais um desafio: de descobrir e cuidar pacientes em estado grave que possuem comorbidades silenciosas, desconhecidas pelos pacientes ou ainda que não estavam sendo tratadas de maneira eficaz.

Segundo relatos de diversos médicos e enfermeiros ouvidos por diferentes veículos de comunicação, são frequentes os casos de pessoas com doenças preexistentes, como diabetes, hipertensão arterial e tuberculose que desconheciam tais comorbidades até serem internadas com a Covid-19.

Como sabemos, diabetes, obesidade, hipertensão arterial, tuberculose, doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardíacos aumentam o risco de agravamento do quadro do paciente. Para aqueles que não tratavam as enfermidades previamente, essa evolução causada pelo novo coronavírus pode ser ainda pior.

Em casos de indivíduos com uma, duas ou até mais doenças preexistentes não controladas, a equipe médica precisará aliar o tratamento contra a Covid-19 com medicamentos para essas comorbidades, o que exigirá uma atenção ainda maior.

Leia também: Covid-19: CDC expande lista de fatores de risco para evolução com gravidade

Saúde de Família

Uma das principais formas de atenção primária no país vem do programa Saúde da Família, criado nos anos 90 através do Sistema Único de Saúde (SUS), que atinge 65% da população brasileira.

De acordo com Renato Bergallo, médico de Família e Comunidade e doutorando em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), a pandemia está fazendo com que mais pessoas aumentem os cuidados em relação à higiene pessoal, mas em relação à prevenção de doenças crônicas ainda está muito a desejar.

“Como os indivíduos estão ficando por muito tempo em casa por conta da quarentena, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), eles estão se isolando e fazendo com evitem ir à unidade de saúde, exceto em casos de urgências. E, por isso, muitos estão simplesmente deixando de comparecer às consultas eletivas. Por exemplo, somente as consultas prioritárias marcadas estão sendo respeitadas durante este período, como pré-natal, e outros casos específicos na unidade de saúde em que trabalho”, relata o médico Renato Bergallo, que também é conteudista do Whitebook e do Portal PEBMED.

Como observamos, os atendimentos considerados não essenciais estão sendo desmarcados nas unidades básicas de saúde e, com isso estão sendo realizados poucos procedimentos preventivos, pois o principal foco é o enfrentamento à Covid-19.

Veja mais: Obesidade aumenta risco de complicações na infecção pelo novo coronavírus?

Telemedicina

O Ministério da Saúde tem orientado os gestores locais de saúde que os atendimentos essenciais sejam mantidos e que os procedimentos eletivos, que não precisam de urgência, sejam adiados.

A pasta pontua que uma das opções para continuidade dos atendimentos nas unidades básicas é a telemedicina, visitas domiciliares ou outras formas, desde que sejam adotadas as medidas de precaução adequadas.

“Na unidade básica de saúde em que trabalho, conveniada à faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá, já fiz alguns atendimentos à distância por telefone e vídeo. É uma experiência diferente, pois não podemos realizar o exame físico completo, mas me surpreendi com bons resultados em relação a ser mais eficaz do que parece. Acho que é um atendimento promissor para o futuro. Mas, neste momento, a procura ainda é pequena, sendo que nós é que estamos entrando em contato com os pacientes para oferecer o serviço e não o contrário”, conta o médico Renato Bergallo.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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