Coronavírus

Covid-19: Existe diferença na transmissão e imunidade de crianças e adultos?

Tempo de leitura: 3 min.

Crianças são contaminadas e transmitem menos o novo coronavírus, responsável pela Covid-19, que os adultos, segundo os resultados de um novo estudo, publicado em diversos jornais franceses no dia 4 de junho. Organizado pela Associação Francesa de Pediatria Ambulatorial (AFPA), a análise foi realizada por pediatras da região metropolitana de Paris, uma das áreas mais afetadas pela pandemia no país.

Leia também: Sociedade Brasileira de Imunizações lança cartilha de vacinação durante pandemia do novo coronavírus

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Características do estudo sobre Covid-19 em crianças

Foram examinadas 605 crianças menores de 15 anos, que foram acompanhados por 27 pediatras durante quase um mês, de 14 de abril a 12 de maio, referente ao período de confinamento na França.

“Como ainda há muitas incertezas e fatores desconhecidos sobre a doença, mas as crianças parecem ser menos infectadas e menos contagiosas, o nosso objetivo era desvendar o papel delas na propagação da epidemia do novo coronavírus”, aponta o pediatra e infectologista do Hospital Intercomunal de Créteil, Robert Cohen, coordenador do estudo, em entrevista ao jornal Le Monde.

Segundo o especialista, a pesquisa confirmou que a doença atinge principalmente os adultos. “Os casos graves e óbitos ocorrem quase que exclusivamente em idosos ou indivíduos com doenças pré-existentes”, detalha Robert Cohen.

Recentemente a agência de Segurança Sanitária de Saúde Pública da França informou que os casos pediátricos de Covid-19 representam uma pequena porcentagem do total de contaminados no mundo, entre 1% e 5%.

Maioria das crianças assintomáticas

O estudo francês corroborou e afinou esses dados. Entre os participantes, 53,2% deles eram assintomáticos, e os outros apresentavam sintomas leves. Entre esses, 37% tinham tido alguns sintomas nas semanas que precederam o estudo.

Os testes confirmaram a pequena incidência de contaminação. Apenas 1,8% dos testados com exames PCR tiveram resultado positivo para a Covid-19. Os exames sorológicos indicaram que 10,7% das crianças tinham sido infectadas.

Todos tiveram como fator de risco o contato com um indivíduo adulto contaminado, geralmente alguém da família, segundo o estudo. A conclusão do estudo francês é que são os adultos que infectam as crianças e não o contrário, como se pensava no início da pandemia.

Há ainda uma grande incerteza sobre uma doença entre as crianças e adolescentes hospitalizados, a forma atípica de síndrome de Kawasaki. A relação com a Covid-19 já foi confirmada e um estudo com 200 casos está sendo realizado para entender melhor o fenômeno.

Saiba mais: A possível transmissão de SARS-CoV-2 por simples hábitos

Mas essa imunidade das crianças pode não durar muito

Epidemiologistas do Reino Unido concordam com essa imunidade por parte das crianças e adolescentes, mas ela pode não durar muito tempo.

Segundo John Edmunds, membro do Grupo Consultivo Científico para Emergências da Grã-Bretanha (SAGE), é impressionante como as crianças parecem não ter um papel muito importante na disseminação do novo coronavírus.

“É incomum que as crianças não pareçam ter um papel muito importante na transmissão porque, para a maioria dos vírus e bactérias respiratórias, elas desempenham um papel central, mas nisto não parecem”, disse Edmunds, que também é professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres, ao Comitê de Ciências da Câmara dos Lordes.

“Existe apenas um surto documentado associado a uma escola — o que é incrível; você normalmente espera que a maioria dos surtos esteja associada às escolas, mas, na literatura global, há apenas um estudo documentado”, disse Edmunds, citando um estudo de uma escola secundária francesa.

O especialista disse que, de maneira mais ampla, as evidências de transmissão de indivíduos assintomáticos — que podem ser cerca de 30 ou 40% dos adultos — não eram claras. Mas acrescentou que há potencialmente más notícias: que a imunidade humana ao novo coronavírus pode não durar muito.

“As respostas de anticorpos diminuem ao longo do tempo dos sobreviventes da Covid-19 e, após alguns anos, seus anticorpos diminuíram significativamente”, disse Edmunds, referindo-se à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que também é causada por um tipo de coronavírus.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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