Ginecologia e Obstetrícia

Covid-19: gestantes e puérperas que tomaram a primeira dose da vacina Astrazeneca

Tempo de leitura: 3 min.

Em maio de 2021 a vacinação contra Covid-19 para gestantes e puérperas precisou passar por um ajuste após algumas gestantes apresentarem desfechos desfavoráveis decorrentes de eventos tromboembólicos após a vacinação com a vacina Astrazeneca/Oxford.  A  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a vacinação das gestantes e puérperas com esta vacina, mas a grande questão no momento era como terminar o esquema vacinal das pacientes que já haviam tomado a primeira dose. Visto que existe uma grande preocupação com o aumento da mortalidade materna no Brasil durante a pandemia.  Afinal foram notificados até o dia 14 de Julho de 2021, 462 casos em 2020 e 1204 casos em 2021, o que representa 10 mortes maternas por semana em 2020 e 44 mortes maternas por semana em 2021 (SIVEP-Gripe).

Leia também: Anvisa orienta restrição de uso de vacina da Janssen em gestantes

O que fazer?

Com o objetivo de orientar médicos obstetras e a população no geral, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) emitiu uma nota no  dia 16 de Julho de 2021 de como devemos proceder em relação às gestantes e puérperas que necessitam completar o esquema vacinal mas não podem tomar a segunda dose da vacina Astrazeneca/Oxford. Lembrando que no Brasil aproximadamente 15.000 mulheres tomaram a primeira dose da Oxford/AstraZeneca durante a gestação ou se tornaram gestantes após o recebimento da primeira dose. 

Saiba mais: Vacinação da Covid-19 em gestantes e puérperas: o precisamos saber até o momento?

Segundo a SOGESP, deve ser disponibilizada para todas as mulheres que estejam gestantes ou puérperas no Estado de São Paulo, e que receberam a primeira dose da vacina contra Covid-19 Oxford/AstraZeneca, a possibilidade de completar seu esquema vacinal com a Pfizer Biontech (Cominarty®) ou, na indisponibilidade desta, com a vacina Butantan/Sinovac (Coronavac®), a ser administrada em intervalo de no mínimo 8 semanas após a primeira dose. A nota emitida pela Dr.ª Rossana Pulcineli ainda ressalta que no Estado de São Paulo há circulação da variante Delta e que uma dose da vacina Oxford/AstraZeneca não confere boa imunidade contra esta variante. De acordo com Borobia (2021) a utilização da vacina Oxford/AstraZeneca seguida da Vacina da Pfizer, administrada em 8 a 12 semanas após a dose de Oxford/AstraZeneca, resultou em boa imunogenicidade e poucos efeitos colaterais. Portanto, temos respaldo na literatura para prosseguir com essa orientação.

No dia 23 de Julho de 2021 o Ministério da Saúde emitiu a nota técnica nº6/2021, na qual faz a mesma orientação que a SOGESP em relação a aplicação da segunda dose da vacina contra Covid-19 nas gestantes e puérperas que tomaram a primeira dose da AstraZeneca, antes do seu uso ser proscrito pela ANVISA.

Mensagem final

Importante lembrar que não é necessário relatório ou prescrição médica ou ainda qualquer outro documento além daqueles que comprovam a gestação ou o puerpério, assim como ocorre na vacinação contra gripe e dTpa. E que todos os médicos têm o dever de orientar e estimular a população a vacinar contra Covid-19 para que assim possam melhorar os índices de mortalidade nessa pandemia.

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Letícia Suzano Lelis Bellusci
Tags: Astrazeneca

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