Clínica Médica

Covid-19: Hospitais têm dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para atender em UTIs

Tempo de leitura: 3 min.

Não é novidade que hospitais e instituições de saúde pelo Brasil estão lidando com a busca crescente por profissionais de saúde qualificados para atuar nas UTIs nesta pandemia de Covid-19.

“Nossa maior dificuldade nas contratações destes profissionais é a qualificação técnica, no que se refere à experiência com pacientes e processos assistenciais de média e alta complexidade. Outro ponto é o fator emocional. Estes profissionais estarão diretamente lidando com pacientes de alta complexidade, em um cenário de pandemia onde é o equilíbrio emocional se faz imprescindível”, afirmou a psicóloga Lydiane Melo, coordenadora de Recursos Humanos do Hospital Icaraí, em Niterói, no Rio de Janeiro, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

Durante o atual período de fase vermelha, que acomete diversas regiões brasileiras, essa procura teve um aumento de 145,7% em relação ao mesmo período de 2020, segundo estimativas da Luandre, uma das maiores consultorias de RH do país, especialista no setor de saúde.

“No nosso hospital, o aumento no setor de UTI foi de 229%, mas outras áreas do também foram impactadas com altas demandas de trabalho pela pandemia, como pronto-atendimentos e unidades diagnósticas”, informou o advogado Rogério Gonçalves de Oliveira, gerente de Recursos Humanos do Hospital Moriah, em São Paulo, também em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

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Critérios de avaliação

O especialista em RH ainda destacou as principais características que os candidatos devem apresentar no processo de seleção, além da formação obrigatória e experiência na área: iniciativa, proatividade, relacionamento interpessoal, capacidade de resolução de problemas e tomada de decisão e liderança.

Embora a área siga contratando profissionais, o foco atual está na busca de mão de obra qualificada para atuar em UTIs, resultando em uma demanda superior de vagas em relação aos profissionais aptos para atuar.

“Para amenizar essa questão, houve uma diminuição da rigidez nos processos de seleção. As provas técnicas, em que antes o crivo era 8, por exemplo, têm um crivo de nota 6 hoje, justamente porque faltam profissionais de saúde”, revelou a superintendente de RH da Luandre, Gabriela Mative.

“Realmente tivemos que nos adaptar a ao cenário atual, porém sempre prezando pela competência e qualificação técnicas desses profissionais. Atualmente ainda estamos com vagas abertas para técnicos de enfermagem e enfermeiros.”, ressaltou Lydiane Melo.

A psicóloga do Hospital Icaraí também apontou os seus principais critérios de avaliação para a contratação de um profissional de saúde para atuar nas UTIs: qualificação técnica compatível com a complexidade dos pacientes, equilíbrio emocional, tomada de decisão, dinamismo e iniciativa e empatia.

Déficit de profissionais de enfermagem

De acordo com um levantamento do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), realizado em maio de 2020, o déficit de enfermeiros e técnicos de enfermagem especializados em UTIs, durante o período inicial da pandemia, já estava em torno de 17 mil em todo o país.

Para alguns hospitais, a alternativa encontrada foi a de efetivar os temporários e submetê-los a um treinamento para qualificação. “O investimento na efetivação faz com que esses profissionais passem por um programa de integração intensiva da equipe e se tornem aptos a exercer um trabalho na UTI de forma mais preparada para lidar com os desafios do dia a dia”, disse Gabriela Mative.

Jornada dupla e cansaço extremo

A falta de profissionais de saúde afeta ainda a rotina dos já empregados. Segundo a superintendente de RH da Luandre, a carência de mão de obra faz com que os funcionários aumentem a sua jornada de trabalho, chegando a dobrar turnos.

Leia também: Um ano de pandemia: cerca de 90% dos profissionais de saúde estão esgotados

“Temos notado um grande desgaste tanto físico quanto emocional de todos os profissionais da área. Observamos os esforços na prestação de uma assistência adequada, em dar o máximo de conforto e atenção ao paciente. Tendo que lidar com frustrações no caso da perda de um paciente, ansiedade e seus medos, principalmente o medo de contaminar um familiar e também o sentimento de dever cumprindo, de satisfação quando um paciente recebe alta. Acredito que essa “gangorra emocional” seja o fator mais desgastante”, avaliou a psicóloga do Hospital Icaraí.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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