Enfermagem

Covid-19: Informações sobre a variante Delta

Tempo de leitura: 3 min.

Uma série de países já enfrentam a nova variante do vírus Sars-Cov-2, o coronavírus. Causador da pandemia de graves proporções, que já é considerada uma das maiores já conhecidas no planeta, o vírus apresenta rápida mutação e suas variantes preocupam o mundo. A variante que vem causando medo no momento é a Delta. Encontrada em 104 países, incluindo o Brasil, essa variante indiana é mais perigosa por ser a mais contagiosa das quatro cepas mais preocupantes que circulam no mundo. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já alerta para o risco dessa nova variante e alguns países já começaram a tomar medidas. A boa notícia é que as vacinas têm se mostrado eficazes contra esse novo perigo, mas cabe ressaltar que o relaxamento de medidas preventivas, como o distanciamento social e o uso de máscaras não é recomendado nesse momento. A vacinação ainda não atingiu parcela significativa da população que pudesse tranquilizar as autoridades sanitárias ao redor do mundo. Nenhum país conseguiu atingir 70% de vacinados e por isso, com a vacinação ainda em processo de consolidação, reforça-se a necessidade de medidas preventivas. 

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 Variante Delta

Subtipo da linhagem viral B.1.617, a variante Delta surgiu na Índia por volta de outubro de 2020, levando a sérios danos à população. Esse ano, foi considerada como o motivo do agravamento da pandemia na Índia e Reino Unido. Segundo a Organização Mundial de Saúde será predominante em breve em todo mundo. 

A variante Delta já está no Brasil e foi identificada em diversos Estados. Da mesma forma que diversas variantes, há na variante Delta, mutações na região do genoma. Este é responsável pela orientação e produção da proteína Spike (S), presente na superfície do vírus que provoca o primeiro passo da infecção, sendo da mesma forma alvo de anticorpos para impedir a infecção do Sars-Cov-2. 

A modificação protéica viral acontece para beneficiar o vírus, em um movimento de adaptação. Mutações da Proteína S aumentam a adesão aos receptores das células hospedeiras e pela modificação, promovem a diminuição da ação dos anticorpos, uma vez que estes se ligam a essas proteínas, quando modificadas diminuem a resposta imunológica do hospedeiro.   

Anterior a variante Delta, o Brasil foi alvo da variante da linhagem B.1.1.7, no Amazonas. Esta já alertava as autoridades de saúde, por provocar mudanças no padrão de mortalidade por Covid-19, nas faixas etárias e sexo, modificando os perfis de patogenicidade e virulência. A variante P1 e P2, também provoca preocupações dos cientistas brasileiros e nas autoridades de saúde, que apontam a necessidade de aprimoramento científico no sistema de vigilância em saúde, incluindo a vigilância virológica/genômica, para que novas mutações possam ser impedidas, principalmente pela imunização de rebanho. Uma vez que se conhece a patogenicidade da variante, medidas preventivas podem ser tomadas, impedindo a disseminação. 

Saiba mais: As infecções por variantes após a vacinação completa contra Covid-19

A Fiocruz, em parceria com outras instituições, como a Universidade de Oxford, realizou estudos sobre a nova cepa e publicou na revista científica Cell, conclusões onde pessoas que já foram infectadas pelo vírus Sars-Cov-2, possuem soro com anticorpos menos potentes contra a variante Delta, chegando a ser 11 vezes menor. O estudo ainda revela menor ação das vacinas como Pfizer e Astrazeneca frente a variante Delta. 

Além dessa variante, outras variantes da mesma linhagem estão sendo estudadas, como a variante Kapa. A facilidade que o vírus possui para se modificar é de grande preocupação para todos, inclusive para a Organização Mundial de Saúde, que vem alertando as autoridades de saúde e a população quanto à necessidade de manter as medidas de enfrentamento, pela prevenção da contaminação. 

Leia também: Covid-19: Estados reduzem intervalo entre doses da AstraZeneca em ação contra a variante Delta

A maior preocupação é frente ao desconhecimento que temos da apresentação clínica, virulência, produção de anticorpos e resposta imune de nossa população. Por isso, o fortalecimento das universidades e dos centros de pesquisa devem ser objetivo governamental, uma vez que estes locais são produtores de pesquisas importantes no rastreamento das variantes do vírus Sars-Cov-2. É imprescindível que possamos continuar na luta contra a disseminação do vírus. Associada a imunização é a única saída para brevemente estarmos livres dos fatídicos resultados que esse vírus tem gerado no mundo. 

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Publicado por
Rafael Polakiewicz

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