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Covid-19: Maranhão registra primeiros casos da variante indiana

Tempo de leitura: 3 min.

Nesta quinta-feira, 20, a Secretaria de Saúde Estadual do Maranhão confirmou os primeiros casos de infecção por Covid-19 provocados pela nova cepa descoberta na Índia, chamada de B.1.617.2. São seis tripulantes do navio MV Shandong da Zhi, um cargueiro com a bandeira de Hong Kong, que está ancorado no litoral do estado. 

“Ao todo, 15 membros da tripulação testaram positivo para a Covid-19 e nove negativos. Das seis amostras com a maior carga viral enviada para sequenciamento genético, todas deram positivo para B.1.617.2”. 

Dos seis infectados, um tripulante indiano de 54 anos precisou ser levado de helicóptero para um hospital da rede particular no dia 13 de maio. Ele começou a sentir os sintomas da Covid-19 no dia 4 de maio e teve febre. Quinze pessoas que estavam no navio apresentaram sintomas da doença e foram testadas.

Segundo o secretário estadual de Saúde, que também preside o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, foi possível realizar o estudo genômico de seis amostras, que deram positivo para a cepa indiana. Por conta disso, a tripulação se encontra isolada e o navio, que não tem permissão para atracar na costa do Maranhão. 

Cerca de 100 pessoas que tiveram contato com esses infectados serão testadas, acompanhadas e isoladas. “A variante já estava presente em 51 países e aqui na América do Sul somente estava presente na Argentina. O Brasil é o segundo país do continente com confirmação da cepa”, disse o secretário.

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Preocupação mundial

Estes são os primeiros casos da cepa indiana no Brasil. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a variante está sendo classificada como digna de preocupação global. A linhagem predominante da B.1.617 foi identificada na Índia em dezembro, embora uma versão anterior tenha sido detectada em outubro de 2020.

Nesta semana, o governo brasileiro proibiu voos internacionais com origem ou passagem pela Índia. A proibição se soma a restrições da mesma natureza relativa aos voos do Reino Unido, Irlanda do Norte e África do Sul. A decisão atende a uma recomendação realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A variante indiana

A variante indiana B.1.617 possui três versões, com pequenas diferenças (B.1.617.1, B.1.617.2 e B.1.617.3), descobertas entre outubro e dezembro de 2020. As três versões apresentam mutações importantes nos genes que codificam a espícula, a proteína que fica na superfície do vírus, sendo responsável por conectar-se aos receptores das células humanas e dar início à infecção.

Entre as alterações, uma se destaca: E484Q tem algumas similaridades com a E484K, alteração encontrada nas outras três variantes de preocupação global. São elas: a B.1.1.7 (Reino Unido), a B.1.351 (África do Sul) e a P.1 (Brasil, inicialmente detectada em Manaus).

Desde que a variante indiana foi relatada pela primeira vez em outubro de 2020, a Covid-19 está atingindo fortemente a Índia, que já reportou quase 290 mil óbitos e mais de 25 milhões de infecções no total. A variante foi detectada em mais de 40 países.

Leia também: Covid-19: testes em humanos com a vacina Covaxin são aprovados no Brasil

Até o momento, cientistas ainda não conseguiram estabelecer alguns pontos importantes sobre a variante indiana, como qual a real velocidade de transmissão e se ela é mais transmissível; se nova a variante está relacionada a quadros de Covid-19 mais graves, que exigem internação e intubação; se há de maior transmissibilidade e ainda se as mudanças genéticas interferem na eficácia das vacinas já disponíveis.

Uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada em 9 de maio, diz que a piora da pandemia na Índia tem uma série de fatores, incluindo a proporção de casos provocados por variantes com maior transmissibilidade.

Contudo, o relatório também aponta outros fatores importantes para a crise sanitária no país, como aglomerações relacionadas a eventos religiosos e políticos e a redução do uso de máscaras e do distanciamento físico.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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