Covid-19: médicos do RJ organizam formulário para investigar ligação da doença à anosmia

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Para tentar entender melhor a correlação entre a anosmia e a Covid-19, um grupo de otorrinolaringologistas do Rio de Janeiro organizou um questionário on-line para identificar casos de indivíduos que relataram ter desenvolvido anosmia entre os sintomas do novo coronavírus.

A pesquisa, iniciada no final de março e finalizada em abril, foi respondida por mais de 800 pacientes até o fechamento desta matéria. O formulário com 14 perguntas busca identificar, entre outros dados, a presença de sintomas respiratórios, se o paciente fez teste para Covid-19 e swab nasal, e ainda se a capacidade de sentir cheiros voltou ao normal.

Segundo os médicos envolvidos no projeto, o aparecimento de pacientes relatando a perda do olfato não é algo comum, podendo indicar que há afinidade do vírus em inflamar o nervo olfativo.

Os especialistas recomendam que os indivíduos que apresentam anosmia repentinamente entrem em isolamento social durante 14 dias.

“A perda súbita de olfato pode ser um sintoma do novo coronavírus e merece uma investigação e autoisolamento social. O nosso objetivo é conseguir o maior número de dados para dar início a estudos em diferentes braços de pesquisas”, contou o otorrinolaringologista Aluan Ungierowicz, em entrevista ao Portal de Notícias da PebMed.

Além de Aluan Ungierowicz, também estão envolvidos neste projeto os médicos Bruna Belo, Priscilla Ramos, Lucia Joffily e Luciane Mello.

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Orientações

A orientação segue o previsto em nota publicada pela Academia Brasileira de Rinologia (ABR) em conjunto com a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), no dia 22 de março.

Segundo a nota, apesar de não haver evidências concretas, as instituições orientam que a presença de anosmia súbita possa sugerir neste cenário de pandemia a transmissão sustentada do novo coronavírus. Dessa forma, sugere que pacientes nestas condições sejam orientados a realizar isolamento domiciliar por 14 dias e aguardar a resolução da anosmia, que parece ser temporária na maioria dos casos.

Evidências até agora

As infecções virais de vias aéreas superiores (IVAS) são a segunda maior causa de anosmia, apresentando recuperação espontânea na maioria dos casos. Um recente estudo chinês (Mao et al, 2020) reportou apenas 5,1% de anosmia nos pacientes com Covid-19.

Porém, evidências anedóticas de anosmia em 30% dos pacientes com Covid-19 em Daegu, na Coreia do Sul, e de 2/3 dos pacientes em Heinsberg, na Alemanha, alertaram os médicos quanto à possibilidade da anosmia ser um sintoma de alarme para a doença.

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Orientações sobre o uso de corticosteroide tópico nasal

Em consonância com as posições atuais da OMS e do CDC, a ABR também orienta que os médicos evitem indicar corticosteroides sistêmicos para o tratamento de pacientes com síndrome gripal. Pelo menos enquanto a pandemia da Covid-19 estiver vigente.

Em relação ao uso de corticosteroides tópicos nasais, as evidências atuais não demonstram malefício e seu uso pode ser continuado em pacientes que já utilizavam essa medicação cronicamente por orientação médica. Contudo, devido à falta de estudos conclusivos em relação ao Covid-19 e em extrapolação da orientação dos corticosteroides sistêmicos, a ABR orienta que essas substâncias sejam mantidas e continue a ser indicadas. E na ocorrência de febre ou outros sintomas sugestivos de síndrome gripal, o médico pode considerar a sua suspensão temporária.

Já para o uso do corticosteroide tópico nasal em infecção aguda viral, a ABR orienta evitar o uso dessas substâncias em quadros agudos virais neste contexto da Covid-19, uma vez que há recomendação conflitante das Diretrizes Americana (2016) e Europeia (2020).

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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