Coronavírus

Covid-19: OPAS/OMS alerta sobre o uso racional de testes de diagnóstico

Tempo de leitura: 4 min.

Devido, notadamente, à introdução da variante Ômicron em nosso meio, um aumento exponencial do número de casos de Covid-19 pôde ser observado nas últimas semanas em nossa região. Adicionado a esse fator, surtos de influenza A (H3N2) estão em curso em vários países, fazendo elevar a quantidade de pacientes com síndrome gripal, quadro clínico semelhante à da Covid-19. 

Diante desse cenário epidemiológico desafiador, a demanda por testes diagnósticos de Covid-19, seja pelos testes rápidos de antígeno ou pelos moleculares (RT-PCR), está sendo muito maior que a oferta. Essa intensa procura causou uma escassez generalizada de testes, insumos e equipamentos laboratoriais, levando a uma redução da disponibilidade desses testes em várias localidades.  

Paralelamente, o afastamento de uma proporção significativa de profissionais de saúde acometidos pela infecção, dentre eles os da área laboratorial envolvidos com os exames diagnósticos (ex.: cadastro, coleta, execução, interpretação, liberação), fez com que também houvesse uma diminuição da capacidade de processamento dos exames nos laboratórios clínicos.

Saiba mais: Covid-19: Entidades médicas recomendam o uso do teste rápido de antígeno

Recomendações da OPAS/OMS 

Nessa conjuntura, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) emitiu, no dia 10 de janeiro de 2022, um alerta epidemiológico aos seus estados-membros. Dentre as principais orientações quanto ao uso e priorização dos testes diagnósticos (antígeno e/ou RT-PCR), a OPAS/OMS recomenda que eles sejam realizados sob as seguintes circunstâncias:  

  • Todos os casos que exigem hospitalização devido a sintomas respiratórios;  
  • Pacientes com sintomas respiratórios que estejam nos grupos de risco para agravamento da doença;  
  • Profissionais de saúde com sintomas respiratórios (para permitir orientação referente ao retorno ao trabalho); 
  • Pacientes que precisam ser hospitalizados por outros motivos, para detecção de Covid-19 de acordo com as normas de cada país/território e de cada instituição;
  • Profissionais com sintomas respiratórios que fazem parte de serviços essenciais e presenciais, como profissionais de segurança (para permitir orientação referente ao retorno ao trabalho).  

Situações em que o teste NÃO é recomendado:  

  • Indivíduos assintomáticos (inclusive contatos); 
  • Como requisito para sair do isolamento;  
  • Para acessar locais públicos.

Leia também: O que são e o que falta para termos autotestes disponíveis?

Considerações finais 

O diagnóstico etiológico do agente causador das síndromes respiratórias, notadamente nesse momento de alta circulação simultânea do SARS-Cov-2 e do vírus influenza A (H3N2), é importante não só do ponto de vista epidemiológico, como também para o manejo e tratamento clínico específicos.  

Nesse momento, devido ao acesso limitado em nosso País, é prudente adotarmos medidas para a priorização e racionalização dos testes diagnósticos da Covid-19, assegurando o suprimento e a disponibilidade adequada desses testes para vigilância epidemiológica e atenção médica de quem mais precisa.

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Pedro Serrão Morales

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