Covid-19: papel da homocisteína na estratificação de risco

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Estatísticas recentes apontam mais de 150 milhões de casos de Covid-19 no mundo, com a taxa de óbitos ultrapassando a marca de três milhões. As diferenças epidemiológicas entre os países são marcantes, o que sugere que fatores étnicos e genéticos tenham impacto nas manifestações da infecção pelo novo coronavírus. O conhecimento de tais fatores é fundamental para a identificação de pacientes sob maior risco de complicações, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo, falência de múltiplos órgãos e morte, o que permite abordagens terapêuticas diferenciadas.

Leia também: Covid-19: recomendações para a trombocitopenia trombótica imune induzida pela vacina

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Homocisteína

Desde o início da pandemia de Covid-19, muito se vem estudando sobre características clínicas e epidemiológicas que possam representar maior risco de infecção e de complicações relacionadas a ela. Vários estudos mostram que idade avançada e presença de comorbidades são fatores de risco. Em relação a marcadores biológicos e suscetibilidade e/ou gravidade da Covid-19, autores já descreveram algumas associações, tornando a avaliação laboratorial útil no rastreio e manejo da doença, bem como na prevenção de distúrbios secundários. Nesse campo de estudo, pesquisadores avaliaram o papel da homocisteína na estratificação de risco dos indivíduos infectados pelo vírus, uma vez que tal impacto já foi demonstrado em processos metabólicos e inflamatórios.

Sabe-se que altos níveis séricos de homocisteína têm efeitos neurotóxico, aterogênico, pró-trombótico e pró-oxidante. A associação entre o marcador e a evolução da Covid-19 foi estudada em 273 pacientes em Xangai. Dentre mais de 40 parâmetros, apenas idade, relação monócitos/linfócitos e homocisteína apresentaram relação com a progressão da infecção, confirmada por alterações tomográficas. A hiperhomocisteinemia aumentou em três vezes o risco de piora radiológica.

Estudo recente

Como o polimorfismo C677T do gene da metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR) associa-se a maior risco trombótico devido a alterações no metabolismo da homocisteína, recente estudo italiano teve como objetivo avaliar a relação entre a mutação e as taxas de incidência e mortalidade da Covid-19. Foram observados altos índices de óbito pelo novo coronavírus na população com maior prevalência da mutação. Autores acreditam que a suplementação de vitaminas do complexo B possa ser eficaz na redução da frequência e da mortalidade da doença viral, uma vez que pode normalizar os níveis de homocisteína em portadores do polimorfismo C677T do gene da MTHFR.

Saiba mais: Covid-19: experiências exitosas e o protagonismo do enfermeiro

É importante enfatizar o fato de grande parte das informações sobre a infecção pelo novo coronavírus estar sendo gerada em tempo real. Logo é preciso ter cuidado nas suas interpretações e ter ciência de que novos dados podem ser divulgados. Muitos estudos estão em andamento, e diversas questões ainda necessitam de resposta. Os dados apresentados resultaram de apenas um estudo italiano, e há a necessidade de novos estudos, preferencialmente prospectivos, randomizados e com um número adequado de participantes, para melhor fundamentar a terapia sugerida no cenário da Covid-19.

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Referências Bibliográficas:

  • Ponti G, et al. COVID-19 Spreading Across World Correlates with 677T Allele of the Methylenetetrahydrofolate Reductase (MTHFR) Gene Prevalence. J Mol Biomark Diagn. 2021;12:1.
  • Matthias K, Hollenhorst J, Achenbach J. Life-threatening course in coronavirus disease 2019 (COVID-19): Is there a link to methylenetetrahydrofolic acid reductase (MTHFR) polymorphism and hyperhomocysteinemia?. Medical hypotheses. 2020; 144: 110234. doi: 10.1016/j.mehy.2020.110234
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Publicado por
Lívia Pessôa de Sant'Anna

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