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médica fazendo controle de pacientes com complicações abdominais da Covid-19

Covid-19 pode estar ligada a complicações abdominais?

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Apesar da maior parte dos países já terem passado pela maior onda da pandemia, ainda persistem diversas dúvidas sobre a fisiopatologia da Covid-19 e suas manifestações extrapulmonares, incluindo complicações abdominais.

Muitos dos eventos adversos são provenientes do estado de hipercoagulabilidade e seus transtornos troboembólicos. No entanto, os achados observacionais podem não refletir uma realizada estatística quando comparado com pacientes de semelhante estado.

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Complicações abdominais da Covid-19

Foi publicada no JAMA uma nota de pesquisa realizada no Massachusetts General Hospital, que comparou os achados de pacientes com infecção pelo SARS-CoV-2 a pacientes igualmente graves em período anterior.

Métodos

Pacientes entubados e admitidos no CTI com diagnóstico de Covid-19 por RT-PCR entre março a maio de 2020, foram então comparados com pacientes não Covid internados nos mesmos locais e com escores de gravidade semelhante. Os pacientes também foram pareados pelo perfil epidemiológico.

Resultados

Um total de 486 pacientes com insuficiência respiratória foram incluídos para análise sendo, 242 positivos para SARS-CoV-2. O pareamento conseguiu ser feito em 92 pacientes de cada grupo para uma comparação com menor disparidade.

Esta análise comparada demonstrou que os pacientes com Covid-19 possuem maior chance de complicações abdominais quando comparada a pacientes não Covid (73% vs 37%; P <0,001). A principal complicação foi elevação das transmaninases (55% vs 27%; P < 0,001), seguida de íleo severo (48% vs 22%; P < 0,001) e isquemia (4% vs 0%; P = 0,04). Os pacientes submetidos a cirurgia por isquemia apresentavam sinais de trombose da microcirculação.

Discussão

A análise deste trabalho demostrou que os pacientes com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) e Covid-19 apresentam maiores complicações abdominais que aqueles pacientes apenas com SDRA.

Uma das explicações do maior envolvimento de órgãos abdominais pode ser uma maior expressão de receptores de enzimas conversoras de angiotensina nas células do epitélio intestinal que são receptoras do SARS-CoV-2. O maior uso de opioides também podem justificar uma maior incidência de íleo nos pacientes com Covid-19.

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Para levar para casa

Mesmo com os grandes avanços no conhecimento de como manejar a nova doença, ainda temos muito o que desvendar sobre a sua fisiopatologia. A noção inicial que a Covid-19 pode causar patologias extrapulmonares é real, e não apenas reflexo da gravidade do quadro do paciente.

A importância deste estudo está no fato dos pacientes serem comprados levando em consideração sua gravidade, idade e comorbidades. Se, por um lado, o fato de ser de uma única instituição poder limitar os achados, por outro, podemos afirmar que a mesma rotina médica e de recursos foram aplicados em ambos grupos.

Assim, devemos sempre buscar ativamente as complicações abdominais em pacientes positivos para SARS-CoV-2, desde as mais simples, como íleo e aumento de transaminases, até o complexo manejo das isquemias enteromesentéricas.

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