Medicina de Família

Covid-19: quais as orientações para os atendimentos das equipes dos Consultórios na Rua?

Tempo de leitura: 2 min.

Durante a pandemia por Covid-19, é muito importante que todos os indivíduos mantenham as medidas de higiene e de proteção individual preconizadas, a fim de conter o avanço da doença. Mas algumas populações podem ter mais dificuldades em cumpri-las adequadamente, como a das pessoas em situação de rua. Nesse sentido, o Ministério da Saúde propõe algumas orientações específicas para o atendimento dessa população, voltadas principalmente para as equipes dos Consultórios na Rua, que realizam o seu acompanhamento de Atenção Primária à Saúde (APS) em várias regiões do país, bem como para todas as outras equipes que atuam com esse grupo populacional.

As pessoas em situação de rua apresentam grande vulnerabilidade pois, além da característica extrema pobreza e da inexistência ou fragilidade de laços familiares, não possuem moradia fixa ou convencional, compartilhando de locais públicos ou de locais de permanência temporários para esse fim. Essas características podem dificultar a adoção de medidas preventivas referentes à Covid-19.

O que é necessário?

Desse modo, primeiramente recomenda-se o uso de equipamentos de proteção individual do profissional de saúde que realiza os atendimentos, de acordo com o preconizado para a APS pelo próprio Ministério.

Deve-se tentar identificar casos de Síndrome Gripal (febre + tosse ou dor de garganta ou dificuldade para respirar) e conduzir os casos de acordo com a gravidade dos sintomas, conforme as mesmas orientações para a APS. Importante lembrar sobre o cuidado para uso de linguagem acessível às pessoas em situação de rua.

Em caso de sintomas graves, o paciente deve ser encaminhado ao centro de referência, conforme fluxo local.

Em caso de sintomas leves, a equipe deve oferecer máscara cirúrgica para o indivíduo, com as devidas orientações sobre troca. Caso haja adequada noção de autocuidado e ausência de sinais de dependência química, pode ser fornecido pela equipe álcool em gel para higienização das mãos, juntamente com as devidas orientações.

Além disso, deve-se sempre orientar o paciente a evitar locais de grandes aglomerações, fornecendo o apoio possível, inclusive intersetorial como com serviços de Assistência Social, para que o mesmo possa suprir suas necessidades de alimentação, pernoite e entre outras, tendo em vista essa limitação. É importante avaliar junto ao paciente o seu local de permanência, para que evite sítios de grande movimentação de pessoas.

Para os locais de permanência temporária, como hospedarias, deve-se orientar a manutenção de distância entre as camas de no mínimo 2 metros, além de garantir espaço para a adequada higienização das mãos, com uso de água e sabão. É importante lembrar de, se possível, utilizar roupas de cama e utensílios individuais, evitando o uso compartilhado.

Leia também: Covid-19: qual a orientação sobre consultas eletivas de idosos durante a pandemia?

Orientações específicas

As orientações dadas a essa população devem ser as mesmas em relação a medidas preventivas e coletivas. No entanto, deve se ter olhar cuidadoso com as peculiaridades desse grupo tão vulnerável, abordando com atenção caso a caso e ficando atento às necessárias adaptações para cada um deles. O trabalho compartilhado entre os profissionais da equipe e com outros serviços, como a Assistência Social, são determinantes para garantir o sucesso do cuidado.

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Referências bibliográficas:

  • Ministério da Saúde. Prevenção ao Covid-19 no âmbito das equipes de Consultórios na Rua. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS). Brasília – DF. Março de 2020
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Publicado por
Renato Bergallo

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