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Representação gráfica de uma cadeia de DNA do vírus causador da Covid-19 sendo analisado para que possa ser realizado um exame diagnóstico com base nos dados obtidos.

Covid-19: Teste rápido baseado em CRISPR recebe aprovação de emergência do FDA

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A Food and Drug Administration (FDA) concedeu a sua primeira autorização de emergência para um teste baseado na técnica CRISPR para a Covid-19, desenvolvido pela Sherlock Biosciences, projetado para gerar um diagnóstico mais eficiente da doença antes mesmo dos sintomas se manifestarem.

Novo teste para Covid-19

O teste, que tem como alvo o RNA e não o DNA do vírus, “procura” por uma sequência de RNA específica para o novo coronavírus em amostras de pacientes retiradas das vias aéreas superiores com um swab ou através de uma lavagem broncoalveolar.

A tecnologia CRISPR faz parte de uma família em expansão de ferramentas que conseguem manipular genes e suas expressões. Assim como as enzimas Cas9 e Cas12, que atuam no DNA, e a enzima Cas13, que atua no RNA. Essa coleção oferece diferentes estratégias para combater mutações de vírus.

“O laboratório do professor Jacques Tremblay, titular do Departamento de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina, da Université Laval, está trabalhando em parceria com o Departamento de Infectologia da mesma universidade. Eles conseguiram desenvolver essa técnica mais rápida, com um altíssimo índice de sensibilidade (acima de 95%), um altíssimo índice de especificidade (também acima de 95%), e conseguindo fazer o diagnóstico com uma carga viral muito pequena, ou seja, horas após o contágio, diferentemente das técnicas atuais de PCR, que necessita aguardar o início dos sintomas. Assim, as chances de falso-negativos ou falso-positivos são muito pequenas”, explica o médico Marcello Bossois, assistente de pesquisa do laboratório do professor Jacques Tremblay, na Université Laval, no Canadá, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

Ainda de acordo com o especialista, os pesquisadores já sabem que a enzima Cas13 tem a capacidade também de eliminar patógenos e germes em geral. A questão é saber se ela também tem a capacidade de eliminar o novo coronavírus no organismo humano. Esse será o próximo passo da pesquisa: encontrar uma técnica para tratar dos pacientes infectados com a Covid-19.

 

Custos

“Por ser uma proteína reprogramável, ela é muito mais acessível economicamente do que criar uma nova metodologia com um novo vírus, como é o caso do novo coronavírus”, esclarece Marcello Bossois, que acredita que “a técnica CRISPR será o futuro dos antibióticos, pois consegue se adaptar ao vírus”.

Segundo o assistente de pesquisa do laboratório do professor Jacques Tremblay, o Canadá quer cooperar com o Brasil, para que ambos os países não dependam unicamente da produção americana. “Mas, claro, respeitando a propriedade intelectual dos pesquisadores dos Estados Unidos, fechando um acordo de cooperação, com a aprovação do FDA”.

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Tecnologia CRISPR

A tecnologia CRISPR é desenvolvida pelas bactérias para conseguirem combater os bacteriófagos, um tipo específico de vírus que é capaz de infectar bactérias e usá-las para reproduzir-se.

Essa proteína pode ser modificada, programada em laboratório para as interações em situações desde a alteração do genoma humano até alterações de diversos seres vivos, como protozoários, bactérias e fungos.

Os cientistas aprimoraram a técnica para o uso prático em 2012. Contudo, ela ficou mundialmente conhecida em 2015, quando foi utilizada para alterar o genoma de embriões humanos, criar cães extra musculosos, porcos que não contraem viroses, amendoins antialérgicos e trigo resistente a pragas.

Tudo isso com a ajuda de uma enzima presente no sistema de defesa das bactérias. Os pesquisadores usam a Cas9 juntamente com um RNA para localizar e “recortar” a parte que procuram em determinado DNA.

No meio disso tudo, o CRISPR é citado como uma chance para um futuro Prêmio Nobel. Por exemplo, os pesquisadores estão estudando a interação com o genoma humano para a sua utilização no tratamento para as doenças monogenéticas.

“Atualmente, existem mais de 8 mil tipos de doenças raras. E há uma possibilidade de utilizar essa tecnologia para curar pacientes com doenças raras”, afirma o médico Marcello Bossois.

Veja também: Covid-19: Anvisa aprova novo teste de anticorpos para uso emergencial

Estudos científicos

Em agosto de 2017, a Revista Nature publicou pela primeira vez a modificação de genes defeituosos em embriões humanos para evitar uma condição cardíaca hereditária. A pesquisa gerou embriões saudáveis, que sem edição genética teriam desenvolvido a cardiomiopatia amiotrófica.

Em abril de 2016, o periódico Cell Reports avaliou que a técnica precisava de ajustes para evitar a ação do vírus do HIV/AIDS, com sua alta capacidade de mutação. Mais de um ano depois, em maio de 2017, a revista Molecular Therapy publicou que cientistas da Universidade Temple, na Filadélfia, conseguiram editar o código e evitar que o vírus continuasse a se replicar em animais.

Já em outubro de 2016, cientistas da Universidade de Sichuan inseriram células modificadas em um paciente com um tipo agressivo de câncer de pulmão. Uma proteína foi desativada com a ajuda do recorte do DNA, justamente a utilizada para a proliferação do câncer.

Em 2019, a Revista Nature publicou que uma equipe de cientistas conseguiu eliminar o vírus HIV-1 do DNA de ratos vivos. Esta foi a primeira vez que o procedimento foi bem-sucedido em animais.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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