Imunologia

Covid-19: Testes de vacina chinesa são autorizados pela Anvisa

Tempo de leitura: 2 min.

A realização de testes da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os testes realizados no laboratório induziram a produção de anticorpos em mais de 90% dos pacientes que receberam a dose.

O pedido foi feito pelo Instituto Butantan, de São Paulo, com a autorização publicada no dia 3 de julho, em edição extra do Diário Oficial da União (D.O.U.).

O estudo clínico da vacina CoronaVac, produzida a partir de cepas inativadas do vírus, que está na terceira fase de testes, envolverá 9 mil voluntários distribuídos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do.Sul, Minas Gerais e Paraná, além do Distrito Federal.

Metade dos voluntários receberá a vacina e a outra receberá um placebo para verificar se há o estímulo à produção de anticorpos para proteção contra o vírus.

O Instituto Butantan informou que o programa de testagem ainda terá de passar por um conselho ético formado por representantes Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligada ao Ministério da Saúde, ou pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq), vinculada à Secretaria Estadual da Saúde, que validará a sua metodologia em humanos.

Mais sobre o estudo clínico

Em maio, a revista Science publicou os resultados de testes realizados com essa candidata a vacina em camundongos, ratos e macacos Rhesus.

Ambos os grupos vacinados mostraram proteção parcial ou total contra a enfermidade, com os anticorpos conseguindo neutralizar o vírus.

Os animais foram desafiados no 22º dia depois da imunização. Nos animais vacinados, o tecido dos pulmões mostrou pequenas mudanças, em alguns lobos. A carga viral foi substancial menor do que nos animais não vacinados.

“Desde o reconhecimento de calamidade pública no Brasil em virtude da pandemia do novo coronavírus, a Anvisa tem adotado estratégias para dar celeridade às análises e às decisões sobre qualquer demanda que tenha como objetivo o enfrentamento da Covid-19. Uma dessas estratégias foi a criação de um comitê de avaliação de estudos clínicos, registros e mudanças pós-registros de medicamentos para prevenção ou tratamento da doença”, informou o órgão.

Leia também: Covid-19: Fiocruz produzirá vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford

Inscrições abertas

Em São Paulo, os trabalhos serão iniciados no dia 20 de julho. Os voluntários podem se inscrever a partir do dia 13, através de um aplicativo que ainda será lançado pelo Governo do Estado de São Paulo.

Podem ser voluntários apenas os profissionais de saúde que estiverem na ativa, residirem perto de algum dos centros de análise e ainda não terem se contaminado com o novo coronavírus.

Devem participar da análise doze centros de saúde brasileiros como os Hospitais das Clínicas de São Paulo e Ribeirão Preto, o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, a Universidade de Brasília, no Distrito Federal, entre outros.

Se for considerada eficaz nos testes, a vacina poderá ser produzida no país e disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de junho de 2021, segundo a previsão do governo paulista.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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