Saúde Pública

Covid: Pesquisa avalia impacto da pandemia na saúde mental do trabalhador brasileiro

Tempo de leitura: 3 min.

Mais de 60% dos trabalhadores brasileiros entre 18 e 24 anos afirmaram que sentiram ansiedade ou cansaço excessivo nos últimos 12 meses por conta da pandemia de Covid-19. Além disso, 62% tiveram insônia, segundo dados de uma pesquisa realizada pela plataforma Zenklub e conduzida pelo Instituto Datafolha de forma presencial que avaliou o impacto da pandemia na saúde mental dos trabalhadores brasileiros.

Todos os índices divulgados foram menores em comparação aos empregados mais velhos, com exceção da depressão, que teve mais impacto naqueles entre 45 a 59 anos (30%) e com 60 anos ou mais (28%).

De acordo com Daniele Nazari, psicóloga do Zenklub, maior plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal do país, os jovens se sentem mais sobrecarregados por uma cobrança excessiva pelo desenvolvimento de carreira rápida.

A especialista relatou que durante os atendimentos clínicos, os trabalhadores mais jovens se sentem pressionados a alcançar cargos altos antes dos 30 anos para se sentirem profissionais qualificados. E essa autocobrança excessiva, provoca ansiedade, insegurança e frustração, o que acaba repercutindo em sintomas físicos, como a exaustão e insônia.

“A autocobrança é importante para o desenvolvimento, mas ela precisa estar associada ao bem-estar para ser saudável”, pontuou Daniele Nazari.

Leia também: Os impactos da pandemia para a população negra

Sem benefícios para cuidar da saúde mental

A pesquisa, que identificou que 6 em cada 10 brasileiros se sentiram sobrecarregados nos últimos doze meses, ainda revelou que 64% dos trabalhadores não possuem nenhum benefício para cuidar da saúde mental. Mesmo assim, 86% acreditam que benefícios, como terapia online e treinamentos de habilidades emocionais, poderiam ajudá-los a lidarem melhor com os impactos negativos durante a pandemia.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 1 dólar investido em saúde emocional, as companhias têm um retorno de 4 dólares, uma vez que 95% dos colaboradores das organizações que investem em seu bem-estar relatam um impacto positivo em produtividade e 97% deles sentiram que sua qualidade de vida melhorou.

Levantamento

O levantamento foi realizado em 129 municípios do país, e ouviu 1.197 pessoas com acima de 18 anos, pertencentes a todas as classificações econômicas.

Participaram 53% homens e 47% mulheres, todos economicamente ativos e com uma renda média familiar mensal de R$4,1 mil, composto principalmente por assalariado registrado (35%), freelancers (22%) e autônomo regular (15%). Quanto à classe econômica, os respondentes eram de todas as classes sociais, sendo A (4%), B (24%), C (48%) e D/E (24%).

Veja mais: AAP 2021: saúde mental pós-parto e desenvolvimento infantil durante a pandemia

Guia prático

Para ajudar as empresas e os trabalhadores a lidarem com essas questões, o Zenklub criou o Guia Prático para saúde mental e trabalho na pós-pandemia, com dicas práticas de especialistas, exemplos e reflexões que podem ajudar no cuidado com a saúde mental dos colaboradores em todos os níveis hierárquicos, abordando desde os impactos de reuniões virtuais e do retorno presencial ao escritório, até como lidar com o luto, casos de depressão e síndrome de Burnout.

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Publicado por
Úrsula Neves

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