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Coxartrose

Coxartrose: quando indicar a viscossuplementação?

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A dor no quadril é um problema que assola a população com mais de 65 anos, acometendo cerca de 20% destas pessoas. Com o envelhecimento da população, a incidência de coxartrose (osteoartrite do quadril) aumenta significativamente, sendo uma das principais causadoras desse sintoma. Sendo assim, torna-se cada vez mais necessário uma otimização do manejo da doença, farmacológico ou não, de modo a postergar e até mesmo evitar o tratamento cirúrgico.

O ácido hialurônico (AH) é um constituinte do líquido sinovial em articulações normais, sendo sintetizado pelos condrócitos e sinoviócitos*. Sua concentração chega a cair de 33% a 50% em articulações com osteoartrite, ocorrendo uma redução do seu tamanho molecular e, consequentemente, diminuição da elasticidade e viscosidade do líquido sinovial.

Inicialmente utilizado para casos de gonartrose, o AH já é amplamente utilizado para patologias do quadril, incluindo artrite reumatoide, osteoartrite, lesões labrais e impacto femoroacetabular. As evidências sugerem que este é o melhor tratamento conservador para coxartrose antes da abordagem cirúrgica, proporcionando alívio da dor duradouro mesmo sem modificar a morfologia do quadril adoecido.

Entretanto, não existe consenso na quantidade e frequência das injeções de AH. Além disso, a infiltração do quadril exige muito mais cuidado e técnica para sua execução, principalmente se comparada ao joelho, que pode ser facilmente acessado em nível ambulatorial e sem necessidade de exames de imagem para guiar. Com isso, ficam as perguntas: quais pacientes portadores de OA do quadril se beneficiariam com tal procedimento? E é seguro realiza-lo, mesmo guiado por ultrassonografia?

Um estudo recente acompanhou 226 pacientes por 12 meses após uma única injeção intra-articular com AH de alto peso molecular. Os paciente foram divididos em grupos de acordo com a classificação de Kellgren e Lawrence (I, II e III), sendo excluídos aqueles classificados como grau IV (OA grave).

Kellgren e Lawrence Alterações radiográficas
I Estreitamento duvidoso do espaço articular; possíveis osteófitos
II Possível estreitamento do espaço articular; osteófitos definidos
III Múltiplos osteofitos; estreitamento do espaço articular definido; alguma esclerose e deformidade das extremidades
IV Osteófitos graves; obliteração do espaço articular; esclerose grave e deformidade das extremidades definidas

Como parâmetros, foram utilizados a escala WOMAC e o Harris Hip Score (HHS) antes da injeção e 3, 6 e 12 meses após sua realização. Portadores de OA grave com menos de 40 anos foram excluídos, bem como os que apresentavam patologias inflamatórias / infecciosas / autoimunes ou cirurgias prévias no quadril. Todos os procedimentos foram guiados por USG.

Houve melhora estatística significativa em ambos os parâmetros em todos os grupos e em todas as avaliações. Entretanto, o grupo II apresentou melhores resultados quando comparado aos outros. Nenhuma complicação ou efeito colateral foi relatado ou observado.

Dessa forma, conclui-se que:

  1. De modo geral, todos os pacientes portadores de OA que não seja grave são bons candidatos a realizar viscossuplementação com AH. Destaca-se aqueles classificados como Kellgren e Lawrence grau II, que obtiveram resultados ainda melhores do que os outros dois grupos.
  2. Apesar de tecnicamente mais difíceis, as injeções de AH guiadas por USG provaram-se confiáveis e eficientes.
    Apesar de não serem abordados no estudo, pacientes portadores de coxartrose grave comprovadamente não se beneficiam de injeções de AH. Entretanto, na prática estes procedimentos são realizados mesmo assim, como um último recurso para protelar o desfecho inevitável: a artroplastia do quadril.

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