Cuidado, nem tudo é Covid-19! Quais os principais diagnósticos diferenciais da doença?

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Em meio à pandemia que estamos vivenciando somos tendenciosos a ter a Covid-19 como único diagnóstico. No entanto, devemos estar atentos porque, apesar dos casos suspeitos constituírem uma grande parcela dos atendimentos hospitalares, as demais doenças continuam existindo e acometendo os pacientes, que também procurarão atendimento!

Tendo em vista a situação atual do Brasil, devemos nos guiar para suspeição da infecção do novo coronavírus diante do quadro clínico do paciente mesmo que este não relate exposição. Mas nós sabemos que febre e pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, batimento das asas nasais entre outros) são também encontradas em outras patologias, e elas não devem ser esquecidas nesse momento!

Diagnósticos diferenciais da Covid-19

Dentre os principais diagnósticos diferenciais devemos levantar a suspeita de:

1. Infecção por influenza

Cursa com queixas de uma síndrome gripal com febre de início súbito acompanhada de tosse ou dor de garganta e pelo menos um dos sintomas: cefaleia, mialgia ou artralgia.

Pode evoluir para síndrome respiratória aguda grave. O diagnóstico através da detecção viral é realizado pela coleta de secreção nasofaríngea nos pacientes com síndrome respiratória aguda grave e estas são submetidas a realização de RT-PCR ou testes rápidos.

2. Outros vírus respiratórios

Infecção por outros vírus respiratórios, como rinovírus, parainfluenza, vírus sincicial respiratório, adenovírus- causam quadro de resfriado comum não específico, geralmente limitados às vias aéreas superiores e com sintomas sistêmicos menos intensos que a influenza. Raramente esse tipo de doença gera complicações, sendo seu diagnóstico clínico.

3. Pneumonia bacteriana adquirida na comunidade (PAC)

Identificada em indivíduos fora do ambiente hospitalar ou nas primeiras 48 horas após a admissão hospitalar. O diagnóstico é sugerido em um paciente com sintomas clínicos compatíveis (febre, dispneia, tosse, produção de escarro, dor ventilatório dependente), achados como taquipneia, taquicardia e sinais de consolidação ao exame físico do tórax, além da demonstração de consolidação ou infiltrado pulmonar em radiografia de tórax.

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4. Coqueluche

Sua fase inicial cursa com sintomas catarrais seguidos de tosse seca, rouquidão, tosse paroxística (acessos de 5 a 10 episódios sucessivos ininterruptos), guincho inspiratório e vômito pós-tosse. O diagnóstico deve ser realizado através da cultura para B. pertussis ou pela reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real da secreção de nasofaringe.

5. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) exacerbada

Alteração aguda de pelo menos um entre os sintomas respiratórios de base: piora da dispneia, alteração no padrão da tosse (frequência ou intensidade), alteração da cor e/ou volume do escarro, extrapolando a variação diária do paciente e o diagnóstico é clínico, realizando-se uma radiografia de tórax para exclusão de complicações, fatores descompensantes e avaliação de comorbidades.

6. Tuberculose pulmonar

Gera tosse persistente (> 15 dias) seca ou produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e perda ponderal. A avaliação é realizada com radiografia de tórax e exame de escarro (BAAR) ou teste rápido molecular para TB (TRM-TB).

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7. Pneumonia fúngica

Possui sinais e sintomas inespecíficos e não diferenciados daqueles de infecções respiratórias de outras origens. Os achados incluem febre, taquicardia, taquipneia, esforço respiratório, sinais de comprometimento respiratório e outros relacionados a acometimento extrarrespiratório, que devem estar associados a algum dos fatores de risco. São alguns exemplos: exposição ocupacional a excretas de pássaros, morcegos, roedores e outros animais para histoplasmose, traumas de pele com exposição ao solo para a esporotricose, contato com águas poluídas ou desastres naturais para infecção por Pseudallescheria boydii / complexo Scedosporium, ou contato com solo para infecções por Coccidioides spp., leucemia aguda ou linfoma durante quimioterapia mieloablativa, transplantes, corticoterapias prolongadas, AIDS, síndromes congênitas de deficiências imunes, pós-esplenectomia ou predisposição genética.

O diagnóstico realizado de forma presuntiva, baseado na combinação de achados clínicos, radiológicos e microbiológicos.

8. Infecção por HIV

Pode se manifestar como um quadro gripal ou uma síndrome mononucleose-like e os principais sintomas são febre alta, adinamia, adenopatia, fotofobia, fadiga, perda ponderal, náuseas e vômitos, odinofagia, mialgia, artralgia, exantema maculopapular eritematoso, ulcerações mucocutâneas (orais, esofágicas e genitais), hepatoesplenomegalia, hiporexia, diarreia e cefaleia (geralmente dor retro-orbitária, que piora com a movimentação dos olhos). O diagnóstico é realizado através de testes sorológicos.

9. Legionelose

em sua forma pulmonar cursa com síndrome semelhante às pneumonias por outras etiologias, com sintomas mais comuns como febre, tosse e dispneia. A febre e fadiga geralmente precedem o início da tosse. Crepitações e/ou sinais de consolidação podem estar presentes ao exame físico. Deve ser suspeitada em pacientes com exposição conhecida ou potencial a fontes aquosas contaminadas ou exposição ao solo. Os exames laboratoriais são necessários para o diagnóstico definitivo: reação de polimerização em cadeia (PCR), detecção de antígenos de Legionella na urina e cultura para esses microrganismos.

Então, diante de um quadro suspeito de Covid-19 não esqueça de considerar essas patologias também!

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