Cuidado Paliativo em epidemias e pandemias: uma rápida revisão para a Covid-19

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No final de março, um dos grandes periódicos da área do Cuidado Paliativo (CP), o Journal of Pain and Symptom Management, publicou uma revisão sistemática com o título adaptado acima com objetivo de sintetizar evidências sobre o papel e a resposta das equipes de cuidados paliativos às pandemias virais como a que enfrentamos hoje da Covid-19.

Esse artigo de revisão produziu a primeira síntese de evidência no direcionamento quanto à resposta das equipes de CP no contexto atual de saúde. Houve limitação de evidências científicas, uma vez que a maioria dos estudos foram observacionais, provenientes da Ásia ou África, apenas um europeu e um americano. Esse último dado parece explicar um pouco o cenário internacional de hoje, no que diz respeito a escassa experiência da Europa e Estados Unidos em responder a pandemias em relação a outras regiões no mundo.

O artigo dialoga e reforça o que o Manual da Organização de Saúde de 2018, o Integrating Palliative Care and symptom relief into the response to humanitarian emergencies and crises já citado no texto “Por quê Cuidados Paliativos na pandemia de Covid-19?” traz dos CP como abordagem essencial nas crises humanitárias, tal como a pandemia que vivenciamos hoje.

Cuidados Paliativos e Covid-19

Algumas qualidades dos CP são destacadas como componentes essenciais na resposta a epidemias e pandemias como: o alívio ao sofrimento, auxílio do processo de tomada de decisões complexas e gerenciamento da incerteza clínica.

Alguns pontos que o artigo destaca como papéis das equipes de CP:

  • Serem flexíveis e ajustarem a alocação e direcionamento de recursos diante das novas necessidades. Os CP auxiliam pacientes/cuidadores a discutir preferências e fazer planos de cuidados avançados;
  • Garantirem a disponibilidade de protocolos para a abordagem de sintomas como a dispneia e treinar não especialistas em seu uso;
  • Estarem envolvidas na triagem dos pacientes. Aqui também pensando no plano de cuidados mais adequado ao paciente e em última instância na melhora alocação de recursos.
  • Considerarem a transferência de recursos para a comunidade, no sentido de facilitar o planejamento de cuidados e controle de sintomas de pacientes na comunidade com objetivo de reduzir internações hospitalares entre pessoas no final de vida. É provável que os cuidados paliativos comunitários possam ajudar a evitar internações hospitalares entre as pessoas que morrem de Covid-19 que preferem permanecer em casa ou em suas casas de repouso.
  • Considerarem a realocação de voluntários para prestar assistência psicossocial e de luto. Assistência que pode ser realizada através da tecnologia digital ou telefones, como também podem ajudar os mais vulneráveis nas compras de alimentos e medicamentos. (lembrando que no Brasil não há tradição de voluntariado na saúde).
  • Desenvolverem ações/medidas entre funcionários no manejo do estresse;
  • Utilizarem a tecnologia como meio de comunicação com pacientes e cuidadores;
  • Adotarem sistemas padronizados de coleta de dados para informar mudanças operacionais e melhorar os cuidados.

Ouça também: Coronavírus: qual o papel dos cuidados paliativos em crises humanitárias? [podcast]

Resumo

O artigo reafirma a abordagem dos CP em pandemias como imperativo ético para aqueles que provavelmente não sobreviverão. Além disso, ressalta a função dos CP no processo deliberativo (tomada de decisão) frente à desafios éticos complexos, principalmente em relação à alocação de recursos escassos. Conclui trazendo o a necessidade de desenvolver sistemas coleta de dados para auxiliar os serviços de CP a planejar e melhorar os cuidados tanto agora, pois a pandemia deve durar meses, como no futuro.

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Referências bibliográficas:

  • Etkind SN, Bone AE, Lovell N, Cripps RL, Harding R, Higginson IJ, Sleeman KE. The role and response of palliative care and hospice services in epidemics and pandemics: a rapid review to inform practice during the Covid-19 pandemic. Journal of Pain and Symptom Management. 2020. Doi: 10.1016/j.jpainsymman.2020.03.029.
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