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O desfecho dos pacientes com mieloma múltiplo melhorou significativamente nos últimos anos devido, principalmente, ao maior conhecimento da biologia da neoplasia, ao uso de técnicas mais eficazes de diagnóstico e ao desenvolvimento de novas drogas e abordagens terapêuticas. Dessa forma, apesar da condição ainda ser incurável, tem-se observado um aumento da sobrevida global, o que torna ainda mais importantes a redução da toxicidade do tratamento e a consequente melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Recentemente foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a formulação subcutânea do daratumumabe, um anticorpo monoclonal anti-CD38, cuja eficácia pela via endovenosa já havia sido evidenciada em estudos prévios.

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Daratumumabe subcutâneo é mais um avanço no tratamento do mieloma múltiplo

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Estudo recente

Em março/2020, foram publicados os resultados de um estudo fase III, multicêntrico e randomizado (COLUMBA), que teve como objetivo avaliar a não inferioridade do uso subcutâneo de daratumumabe em relação ao uso endovenoso. Após comparação dos desfechos de 522 participantes de 18 países, os autores não observaram diferenças em termos de farmacococinética e eficácia entre as duas formas de aplicação.

Além disso, sabe-se que reações podem ocorrer durante a infusão venosa (ex.: congestão nasal, dispneia, hipertensão, tosse, irritação da garganta, calafrios, náuseas e vômitos). Pelo risco de reação infusional, recomenda-se administração lenta e gradual do anticorpo, além de pré-medicação com corticoide, antitérmico e anti-histamínico. A nova formulação do daratumumabe mostrou-se capaz em reduzir o tempo de administração e o risco de reações infusionais, o que já havia sido observado com outro anticorpo monoclonal, o rituximabe, muito usado no tratamento de linfomas não Hodgkin.

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Tais achados corroboram os resultados de outro estudo multicêntrico, porém fase II (PLEIADES), que avaliou o uso subcutâneo da medicação em associação a diferentes esquemas quimioterápicos: VRd (bortezomibe, lenalidomida, dexametasona), VMP (bortezomibe, melfalana, prednisona) e Rd (lenalidomida, dexametasona), para doença virgem de tratamento ou refratária/ recaída. Quase 200 indivíduos foram randomizados em três grupos de tratamento (D-VMP, D-Rd e D-VRd), e os resultados foram comparados com os dados de estudos prévios, que demonstraram a eficácia da combinação do daratumumabe venoso aos já consagrados esquemas terapêuticos. Os pesquisadores notaram que a formulação subcutânea foi tão eficaz e segura quanto a formulação endovenosa, além das vantagens relacionadas ao menor tempo de administração e à menor incidência de reações infusionais, o que impacta positivamente na qualidade de vida dos pacientes.

Espera-se, portanto, que, além do aumento da sobrevida, o tratamento do mieloma múltiplo proporcione maior conforto e segurança aos seus portadores, muitas vezes já debilitados por conta das complicações decorrentes da própria doença (ex.: anemia, dor óssea).

Aspectos técnicos

  1. Todas as indicações atualmente aprovadas em bula para daratumumabe endovenoso no Brasil foram aprovadas para daratumumabe subcutâneo:
    • Em combinação com bortezomibe, talidomida e dexametasona para o tratamento de pacientes recém-diagnosticados com mieloma múltiplo elegíveis a transplante autólogo de células-tronco;
    • Em combinação com lenalidomida e dexametasona ou bortezomibe, melfalana e prednisona para o tratamento de pacientes recém-diagnosticados com mieloma múltiplo que são inelegíveis ao transplante autólogo de células-tronco;
    • Em combinação com lenalidomida e dexametasona ou bortezomibe e dexametasona para o tratamento de pacientes com mieloma múltiplo que receberam pelo menos um tratamento prévio;
    • Em monoterapia para o tratamento de pacientes com mieloma múltiplo que receberam pelo menos três linhas de tratamento prévio, incluindo um inibidor de proteassoma e um agente imunomodulador, ou que foram duplamente refratários a um inibidor de proteassoma e um agente imunomodulador.
  1. A mesma abordagem pré e pós-infusão de daratumumabe endovenoso deve ser adotada antes e após a administração subcutânea.
  2. A formulação subcutânea destina-se apenas a esta via de administração, não devendo ser utilizada por outra via.
  Daratumumabe Endovenoso Daratumumabe Subcutâneo
Tempo de infusão 3-7 horas 3-5 minutos
Volume infundido 500-1.000 mL 15 mL
Dose 16 mg/kg 1.800 mg

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Mateos MV, et al. Subcutaneous versus intravenous daratumumab in patients with relapsed or refractory multiple myeloma (COLUMBA): a multicentre, open-label, non-inferiority, randomised, phase 3 trial. The Lancet Haematology. 2020. doi10.1016/S2352-3026(20)30070-3
  • Chari A, et al. Subcutaneous (SC) daratumumab (DARA) in combination with standard multiple myeloma (MM) treatment regimens: an open-label, multicenter phase 2 study (PLEIADES). Clinical Lymphoma, Myeloma and Leukemia. 2019;19(10): e16-e17. doi: 10.1111/bjh.16980
  • Chari A, et al. Subcutaneous daratumumab plus standard treatment regimens in patients with multiple myeloma across lines of therapy: Pleiades study update. 2019:134(supl. 1)3152-3152. doi: 10.1182/blood-2019-123560
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