Deficiência de vitamina D: adultos jovens assintomáticos devem ser rastreados?

Tempo de leitura: 3 min.

A vitamina D tem sido muito debatida nos últimos, anos, sabemos que ela desempenha um papel importantíssimo na homeostase do cálcio e no metabolismo ósseo e cada vez mais os trabalhos estudam também seu papel extra esquelético.

Em alguns estudos observacionais, níveis mais baixos de vitamina D foram associados a alguns tipos de câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e morte, porém, os resultados até o momento são inconsistentes. Isso porque diferentes estudos usaram diferentes pontos de corte para definir um baixo nível de vitamina D ou porque as necessidades de vitamina D e o ponto de corte ideal que define um baixo nível, ou deficiência de vitamina D podem variar por indivíduo ou por subpopulação.

Leia também: Níveis séricos maternos e neonatais de vitamina D e hiperbilirrubinemia no recém-nascido

Portanto, até hoje, não há um valor de referência que defina a deficiência. Além disso, não existe consenso a respeito dos níveis séricos precisos mensuráveis de vitamina D que representam saúde ou suficiência ideal.

Nova diretriz publicada na revista JAMA

Para atualizar a recomendação de 2014, a US Preventive Services Task Force publicou agora em março de 2021 uma revisão sistemática sobre o rastreamento da deficiência de vitamina D, listando os benefícios e malefícios do rastreamento e do tratamento precoce.

De acordo com a National Academy of Medicine, cerca de 97,5% da população terá suas necessidades de vitamina D satisfeitas a um nível sérico de 20 ng/mL (49,9 nmol/L) e o risco de deficiência, relativo à saúde óssea, começa a ocorrer em níveis inferiores a 12 a 20 ng/mL (29,9-49,9 nmol/L). É estimado que 5% da população de 1 ano ou mais têm níveis muito baixos de 25-hidroxivitamina D (25 [OH] D) (< 12 ng/mL) e 18% apresentaram níveis entre 12 e 19 ng/mL.

Avaliação de risco individual: quais fatores de risco para deficiência de vitamina D?

  • A baixa ingestão de vitamina D na dieta.
  • Pouca ou nenhuma exposição aos raios ultravioleta B, por exemplo, devido à temporada de inverno, alta latitude ou evitar o sol.
  • Idade avançada.
  • Obesidade, e essa população têm um risco 1,3 a 2 vezes maior de serem deficientes em vitamina D, dependendo do limite usado para definir a deficiência. O mecanismo exato para este achado não é completamente compreendido.
  • Etnia negra não hispânica, dependendo novamente do limiar sérico usado para definir a deficiência, a prevalência é 2 a 10 vezes maior do que em brancos não hispânicos, provavelmente relacionada a diferenças na pigmentação da pele.

No entanto, essas estimativas de prevalência são baseadas nos níveis totais de 25 (OH) D, e a controvérsia permanece sobre se esta é a melhor medida do status da vitamina D entre diferentes grupos raciais e étnicos.

Saiba mais: ENDO 2021: vitamina D na prevenção de diabetes tipo 2 – sim ou não?

Uma proporção significativa da variabilidade nos níveis de 25 (OH) D entre os indivíduos não é explicada pelos fatores de risco observados acima, que parecem ser responsáveis por apenas 20% a 30% da variação nos níveis de 25 (OH) D.

Tratamento e intervenções

A deficiência de vitamina D é geralmente suplementada com vitamina D oral, comumente disponível em duas formulações: vitamina D 3 (colecalciferol) e vitamina D 2 (ergocalciferol).

Danos potenciais

Um dano raro, mas potencial, do tratamento com vitamina D é a toxicidade, caracterizada por hipercalcemia acentuada, bem como hiperfosfatemia e hipercalciúria que geralmente ocorre com níveis acima de 150 ng/mL, situação extremamente rara.

A incidência absoluta de eventos adversos variou amplamente entre os estudos incluídos na revisão.  No entanto, a incidência de eventos adversos totais, como sintomas gastrointestinais, fadiga, sintomas musculoesqueléticos e cefaleia e eventos adversos graves foi geralmente semelhante entre os grupos de tratamento e controle. Nos 10 estudos que quantificaram a incidência de cálculo renal, houve apenas relato de um caso associado.

Conclusão do novo estudo

Para a declaração de recomendação atual, a USPSTF conclui novamente, assim como em 2014, que as evidências são insuficientes para avaliar o equilíbrio entre os benefícios e os danos do rastreamento da deficiência de vitamina D em adultos assintomáticos

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • US Preventive Services Task Force. Screening for Vitamin D Deficiency in Adults: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA.2021;325(14):1436–1442. doi:1001/jama.2021.3069
Compartilhar
Publicado por
Juliana Olivieri

Posts recentes

Sintomas psicossociais negativos em pré-escolares associados ao tempo de tela

Estudo concluiu que o tempo de tela de crianças pré-escolares aumentou e foi associado à…

2 horas atrás

ATS 2021: infecções fúngicas em ambiente intra-hospitalar

Infecções fúngicas são uma ameaça na terapia intensiva. Na pandemia de Covid-19, a preocupação aumentou.…

3 horas atrás

Hidroanecefalia x hidrocefalia máxima: você sabe a diferença?

A diferenciação entre hidroanecefalia e hidrocefalia máxima é crucial para a definição do prognóstico neonatal…

4 horas atrás

ACC 21: ablação de fibrilação atrial é superior ao controle de frequência cardíaca em pacientes com IC?

Em estudo apresentado no ACC 2021 avaliou se a ablação de fibrilação atrial é maior ao…

5 horas atrás

Hemorragia puerperal: prevenir com ácido tranexâmico na cesárea diminui a mortalidade?

Um artigo teve como objetivo de estudar uma possível prevenção da hemorragia puerperal com o…

6 horas atrás

CFM divulga resolução definindo como experimental o uso da cloroquina por inalação

O Conselho Federal de Medicina estabeleceu inalação de cloroquina como procedimento experimental no tratamento contra…

7 horas atrás