Delirium e Encefalopatia Aguda têm suas nomenclaturas atualizadas, o que mudou?

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Alterações agudas do estado neurológico de pacientes graves são comuns.  Frequentemente, recebem diversos nomes como: delirium, encefalopatia, estado confusional agudo, disfunção neurológica aguda, falência neurológica aguda ou alteração do estado mental. Embora seja possível perceber algumas entidades clínicas diferentes, conforme nomenclatura, temos evidência insuficiente para distinguir de forma precisa cada um dos termos.

Tais distúrbios que afetam o cognitivo desses pacientes são relacionados à piores desfechos (médio e longo prazo), como maior morbimortalidade e disfunção cognitiva crônica. Muito já se avançou na identificação e reconhecimento, no entanto, foco em estratégias de prevenção e tratamento dessas condições tem sido a ênfase da pesquisa no momento. Justifica-se então, para avanço no campo, que uma nomenclatura uniforme seja padronizada.

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Panorama atual das nomenclaturas

O termo Delirium é definido pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da American Psychiatric Association) e está cadastrado na 11ª edição do Código Internacional de Doenças (CID-11). Já o termo encefalopatia é amplamente utilizado e se refere a um distúrbio global na função neurológica e não consta nos dois registros formais.

Além disso, é possível perceber alguns termos preferencialmente utilizados, a depender do tipo de especialidade que publica a evidência científica, como por exemplo: jornais de neurologia, neurociência e de medicina interna, em geral, publicam mais títulos com o termo encefalopatia, já jornais de geriatria, psiquiatria, medicina intensiva e anestesiologia publicam, de forma mais frequente, títulos com o termo delirium. A falta de uma nomenclatura uniforme representa uma barreira para o progresso científico e tem impactos no manejo dos pacientes, uma vez que pode influenciar o desfecho do mesmo.

Recomendações do painel de especialistas

Um painel, publicado na Intensive Care Medicine, composto por especialistas de 10 sociedades internacionais das áreas de medicina intensiva, psiquiatria, geriatria, farmácia, neurologia e reabilitação propôs uma nova padronização quanto à nomenclatura dessas condições. Veja abaixo:

  1. Encefalopatia aguda: o termo refere-se a um processo patobiológico cerebral de rápida instalação (geralmente menor que quatro semanas, mas geralmente ocorrendo dentro de horas a poucos dias). TERMO PREFERENCIAL.

OBS: A encefalopatia aguda pode levar a uma apresentação clínica de delirium subsindrômico, delirium ou coma.

  1. Delirium: o termo refere-se ao estado clínico caracterizado por uma combinação de 5 critérios (A-E) definidos pelo DSM-5, uma vez todos contemplados. Vamos aos critérios: A. Distúrbio na atenção e consciência. B. Desenvolvimento a partir de um curto período de tempo (horas a dias) com flutuações ao longo do dia. C. Presença de distúrbio cognitivo adicional (memória, desorientação, linguagem…). D. Os critérios A e B não são explicados por condição preexistente ou em contexto de coma. E. Evidência a partir da história clínica, exame físico e exames laboratoriais que o distúrbio possa ser justificado por condições clínicas, intoxicação por substâncias/toxinas ou múltiplas etiologias. TERMO PREFERENCIAL

OBS: Delirium subsindrômico: refere-se a condições com alterações cognitivas compatíveis com delirium mas que não preenchem todos os critérios acima.

  1. Coma: estado clínico com depressão neurológica grave, classificado por escores como o Escore de Coma de Glasgow ou o Escore FOUR (Full Outline of UnResponsiveness). TERMO PREFERENCIAL.
  2. NÃO DEVEMOS UTILIZAR: estado confusional agudo, disfunção cerebral aguda, falência cerebral aguda ou alteração do estado mental (que não é sinônimo para delirium).

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Mensagens Práticas

Como em qualquer condição clínica, estabelecer uma nomenclatura uniforme e universal permite avanço científico. Alterações agudas da função neurológica em pacientes graves agora devem ser enquadradas como encefalopatia aguda, delirium ou coma, conforme definições acima.

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Referências bibliográficas:

  • Slooter AJC, Otte WM, Devlin JW, et al. Updated nomenclature of delirium and acute encephalopathy: statement of ten Societies. Intensive Care Med. 2020;46:1020–1022. doi: 10.1007/s00134-019-05907-4
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