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osteonecrose dos maxilares

Denosumabe x ácido zoledrônico e a osteonecrose dos maxilares

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Um recente estudo duplo-cego, randomizado, controlado, em fase III intitulado Denosumab Versus Zoledronic Acid in Bone Disease Treatment of Newly Diagnosed Multiple Myeloma chamou atenção por reportar que a incidência de osteonecrose pelo denosumabe foi maior quando comparada ao ácido zoledrônico 4,8% e 2,8% respectivamente, especialmente quando contraposto a outros estudos com neoplasias malignas metastáticas.

As justificativas podem ser inúmeras e necessitam de mais estudos, tais como: no mieloma múltiplo há uma maior susceptibilidade à osteonecrose (e isso já foi comprovado em várias publicações, seguido do câncer de mama e o de próstata), às outras medicações concomitantes (como as altas doses de corticosteroides), às infecções orais já presentes ou adquirida no tratamento (que aumentam os riscos em sete vezes mais), entre outras.

Tanto o denosumabe quanto o Zometa, assim como qualquer outro antirreabsortivo, antiangiogênico e outros da classe dos bisfosfonatos, que geralmente são indicados não só para o tratamento oncológico metastático, como também para osteoporose, doença de Paget, lesões osteolíticas e hipercalcemia maligna, necessitam ser informados ao cirurgião-dentista oncológico, que deve acompanhar esse paciente por todo tratamento (e especialmente tão logo o paciente recebe o diagnóstico do câncer e após sua alta).

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Não é regra que a osteonecrose aconteça, aliás, com o uso dos antirreabsortivos outros efeitos adversos também podem ocorrer como pirexia, problemas na função renal e hipocalcemia, mas, a incidência aumentada da osteonecrose tem sido observada bastante ao longo dos anos. Ela acontece porque as metástases ósseas resultam do excesso de ativação de osteoclastos mediados por uma gama de citocinas produzidas pelas células tumorais. Essas medicações, portanto, inibem não só a formação de osteoclastos, a remodelação óssea, a formação de novos vasos como também podem ser inibidores da via RANK.

Vale lembrar que não existe uma “receita de bolo” para o tratamento da osteonecrose dos maxilares, apesar de diversos protocolos poderem ser instituídos, separadamente ou combinados. Mas é uma complicação grave que pode piorar o quadro geral do doente, interromper ou retardar seu tratamento antineoplásico, aumentar o tempo de internação, aumentar os curtos, evoluir para um quadro infeccioso grave, choque séptico e piora do prognóstico da doença de base, mas se tratado principalmente de forma preventiva, pode ajudar e muito na efetividade do tratamento oncológico.

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Autor:

Referências:

  • Raje, N., Terpos, E., Willenbacher, W., Shimizu, K., García-Sanz, R., Durie, B., … Roodman, G. D. (2018). Denosumab versus zoledronic acid in bone disease treatment of newly diagnosed multiple myeloma: an international, double-blind, double-dummy, randomised, controlled, phase 3 study. The Lancet Oncology, 19(3), 370–381

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