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Dependência de opioides: um panorama brasileiro

Dependência de opioides: um panorama brasileiro

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Este conteúdo foi produzido pela PEBMED, em parceria com Mundipharma de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal PEBMED.

Atualmente no Brasil ainda existe uma grande problemática envolvendo o consumo de opioides pois tanto o paciente reluta em aceitar a terapia quanto o médico tem dificuldades e pré conceitos que os leva a não prescrevê-los. 

Existe, de fato, a crise de opioides enfrentada por países desenvolvidos como EUA e Canadá. A prescrição de metadona, por exemplo, cresceu 933% entre 1997 e 2005 nos EUA. O número de morte não intencional causada (overdose) aumentou 127% no período entre 1999 e 2002. Apesar do consumo de opioides nos países da América do Norte estar ultimamente em queda devido às políticas de monitoramento, há restrição na disponibilidade e ao uso de guidelines, entre os anos de 2016 e 2018 eles ainda eram responsáveis por cerca de 60% do consumo total de opioides no mundo. Tal fenômeno observado nessa região não foi replicado para os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como o Brasil.  

Quando comparado ao restante do mundo, a taxa de consumo de opioide na América Central e América do Sul é de aproximadamente 2% – logo, a interpretação da opioidofobia em nosso país deve ser individualizada. Existe, no entanto, um alerta importante a ser feito. 

Em um estudo disponibilizado pela American Journal of Public Health, em 2018, que avaliou as prescrições de opioide no Brasil entre 2009 e 2015 mostrou que houve um aumento substancial na prescrição de opioide no país. A codeína é o opioide mais utilizado, sendo responsável por cerca de 98% das prescrições; a oxicodona, apesar de representar menos de 1% desse total, apresentou o maior aumento proporcional (de 0,07 para 0,8 prescrições por 1000 pessoas (RR = 11,39; 95% IC = 11,18 – 11,59) – neste trabalho, levaram em consideração apenas dados sobre codeína, fentanil e derivados (alfentanil e remifentanil) e oxicodona, sendo tais dados obtidos a partir da Anvisa. 

opioides

 Como prescrever opioides de forma segura? 

O opioide é o tratamento padrão-ouro no tratamento de dor oncológica e em outros tipos de dor de moderada a forte intensidade, como algumas dores neuropáticas e musculoesqueléticas. A prescrição precária de opioides em países desenvolvidos ou em desenvolvimento faz com que 75% da população não receba analgesia proporcional a sua dor. 

Diante desse cenário, em que a medicação se faz necessária, porém com o uso forma responsável algumas medidas devem ser tomadas. Logo antes de iniciar a terapia com opioide, é fundamental a documentação completa do paciente: avaliação da dor e do seu quadro clínico geral, história psicossocial, condições psiquiátricas, eventual abuso de substâncias ilícitas assim como a assinatura do termo de consentimento informado.  

Uma forma de realizar o rastreio de pacientes pertencentes a grupo de risco de adição seria utilizar o Opioid Risk Tool (ORT), que classifica os pacientes de baixo, moderado ou alto risco para abuso de opioides permitindo dessa forma um melhor monitoramento, opção por outra forma de tratamento ou associações de tratamentos (farmacológicos e não farmacológicos). A ORT é uma ferramenta em que se avalia o histórico do paciente e seus familiares em alcoolismo, tabagismo, abuso de drogas (ilícitas ou não), idade, histórico de abusos sexuais, histórico de transtornos mentais e depressão, pontuando diferentemente de acordo com o sexo. 

Além disso, a educação continuada capacitando o profissional médico a prescrever a medicação de forma segura, baseada em protocolos, assim como criação de políticas públicas com recomendações cientificas nacionais e mesmo a criação de receita eletrônica seriam outras alternativas para estimular o uso correto dessa medicação. 

A informação adequada do contexto do uso de opoide no país deve ser passada adiante. O seu uso abusivo nos países norte-americanos não se assemelha ao momento atual que o Brasil vive e dessa forma, a indicação adequada de sua prescrição deve ser estimulada para que o paciente possa ser beneficiado com essa opção terapêutica, sempre com segurança e baseado em protocolos além do monitoramento adequado. 

 

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Referencias bibliográficas: 

  • Kraychete, DC, Garcia, JBS. The adequate use of opioids and the position of the Latin American Federation of Associations for the Study of Pain. BrJP. 2019; abr-jun; (2(2):99-100. http://dx.doi.org/10.5935/2595-0118.20190018 
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  •  Costa, AGS. Rates, MLS. Azevedo, VMS. Risk of opioid abuse in non-oncologic chronic pain outpatient clinic. BrJP. São Paulo, 2021 jul-set;4(3):193-7 .  https://doi.org/10.5935/2595-0118.20210037 
  •  Kraychete, DC. Siqueira, JTT. Garcia, JBS e col. Recommendations for the use of opioids in Brazil: part I. Review Articles • Rev. dor 14 (4) • Dec 2013 • https://doi.org/10.1590/S1806-00132013000400012 
  •  Noa Krawczyk, BA, M. Claire Greene, MPH, Rafaela Zorzanelli, PhD, and Francisco I. Bastos, MD, PhD . Rising Trends of Prescription Opioid Sales in Contemporary Brazil, 2009–2015 . Am J Public Health. Published online ahead of print March 22, 2018: e1–e3. doi:10.2105/AJPH.2018.304341)  
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