Terapia Intensiva

Desaceleração generalizada do eletroencefalograma e gravidade do delirium

Tempo de leitura: 2 min.

O delirium é um distúrbio agudo e flutuante da atenção e da consciência. Embora as ferramentas clínicas possam padronizar sua avaliação, elas envolvem a apreciação subjetiva e intermitente de uma condição complexa e dinâmica que gera discordância, mesmo entre especialistas.

Existe uma preocupação crescente de que a gravidade do delirium esteja mais claramente associada a um pior prognóstico. Dessa forma, biomarcadores podem ser clinicamente relevantes.

A desaceleração generalizada do eletroencefalograma (EEG) de rotina está fortemente correlacionada com o delirium e pode ser um biomarcador valioso para sua gravidade. Além disso, essa desaceleração deve desencadear uma maior preocupação com o prognóstico de pacientes com estado mental alterado.

Essas são as conclusões do estudo Clinical EEG slowing correlates with delirium severity and predicts poor clinical outcomes de Kimchi e colaboradores (2019). Esse estudo foi publicado no jornal Neurology. O objetivo foi determinar quais resultados nos EEG de rotina se correlacionam com a gravidade do delirium em suas várias apresentações e determinar se os resultados do EEG preveem resultados clínicos importantes.

Delirium e EEG

Kimchi e colaboradores (2019) analisaram prospectivamente uma coorte de pacientes não intubados submetidos ao EEG para avaliação de estado mental alterado. Os pacientes foram avaliados quanto ao delirium dentro de 1 hora após o EEG com o uso da ferramenta 3-Minute Diagnostic Interview for Confusion Assessment Method (3D-CAM) e do escore de gravidade da 3D-CAM.

Os EEG foram interpretados clinicamente por neurofisiologistas, e os relatórios foram revisados para identificar características como desaceleração teta ou delta e ondas trifásicas. Modelos lineares generalizados foram usados para quantificar associações entre os achados do EEG, delirium e resultados clínicos, incluindo tempo de permanência, pontuação na escala de Glasgow e mortalidade.

Duzentos pacientes foram avaliados [idade mediana de 60 anos, intervalo interquartil (IIQ) 48,5-72 anos]. Destes, 121 (60,5%) preencheram os critérios de delirium. O achado do EEG mais fortemente associado à presença de delirium foi um composto de desaceleração teta ou delta generalizada [odds ratio (OR) 10,3, intervalo de confiança de 95% (IC 95%) 5,3-20,1].

Mais da autora: Delirium em uma UTI Pediátrica terciária: fatores de risco e desfechos

Resultados

A prevalência de lentidão correlacionou-se não apenas com a gravidade geral do delirium (R2 = 0,907), mas também com a gravidade de cada característica avaliada pelos algoritmos de delirium baseados no CAM. Os pesquisadores observaram que a desaceleração era comum no delirium, mesmo com a excitação normal. Além disso, notaram que a desaceleração do EEG foi associada a hospitalizações mais prolongadas, piores resultados funcionais e aumento da mortalidade, mesmo após o ajuste da presença ou gravidade do delirium.

Os pesquisadores destacam, com esse estudo, a seriedade prognóstica da desaceleração clínica do EEG e sugerem que uma única observação da desaceleração generalizada seja um marcador significativo de maus resultados clínicos, mesmo após considerar a presença ou a gravidade do delirium.

Portanto, segundo Kimchi e colaboradores (2019), a desaceleração do EEG pode ser uma ferramenta útil para identificar pacientes de alto risco que nos permitirá entender pontos em comum entre diferentes etiologias do delirium, bem como um método objetivo para monitorar o delirium em curso, incluindo potencialmente respostas a novas terapias.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Kimchi EY et al. Clinical EEG slowing correlates with delirium severity and predicts poor clinical outcomes. Neurology 2019 Sep 24; 93:e1260
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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