Ginecologia e Obstetrícia

Desafios da amamentação: novas recomendações do ACOG

Tempo de leitura: 3 min.

O aleitamento materno está associado à redução do risco de câncer de mama, câncer de ovário, diabetes mellitus e cardiopatia hipertensiva na mulher, aumenta o vínculo da mãe com o bebê, além de inúmeros outros benefícios. Tantos estímulos, recomendações e campanhas são realizadas no intuito de promover a amamentação, mas, mesmo assim, uma enorme parcela de mulheres no Brasil e no mundo vivencia o desmame precoce. Nos EUA, por exemplo, apenas 25% das mães completam o aleitamento exclusivo até os 6 meses.

Relatos como dor persistente ou lesão do mamilo, são considerados como a principal causa do desmame precoce. Outros causas comuns são: sensação de produção láctea insuficiente, medo de amamentar simultaneamente ao uso de fármacos.

Leia também: Bebês hospitalizados que usam fórmulas infantis têm risco maior de desmame precoce

O desmame precoce muitas vezes também pode estar relacionado a fatores sociais, como acesso limitado à licença maternidade remunerada e barreiras à amamentação no local de trabalho.

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) divulgou no início deste ano de 2021 um parecer desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Especialistas em Amamentação com recomendações específicas para encarar o desafio que é estimular as pacientes a realizar e manter a amamentação.

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As recomendações atualizadas do ACOG resumem-se a seguir:

  • O ingurgitamento mamário pode ser tratado de forma expectante se os sintomas da paciente forem leves e o bebê for capaz de mamar de maneira adequada.
  • Ginecologistas e obstetras devem fazer uma análise cuidadosa durante o exame físico, para distinguir a causa específica da dor de suas pacientes e determinar o tratamento apropriado: expectante, corticoide tópico, laserterapia, anti-histamínicos, antibióticos e antifúngicos tópicos, dentre outros.
  • Quanto a queixa de produção láctea insuficiente: as pacientes devem ser tranquilizadas de que seu suprimento de leite é adequado se a frequência média de alimentação for de 8 a 12 vezes por dia (alguns bebês precisam mamar de forma mais frequente), ganho de peso estável por volta do quarto ou quinto dia, e de 6 a 8 fraldas molhadas ocorrem em média por dia.
  • Mulheres com risco aumentado de baixo suprimento de leite devem ser informados sobre os sinais relacionados ao baixo suprimento de leite ou desidratação, como icterícia, fraldas insuficientemente úmidas ou sujas, letargia, choro inconsolável, cor das fezes inalterada (não amarelo brilhante no quinto dia) e falta de ganho de peso infantil constante no quarto dia.
  • Antagonistas dopaminérgicos não devem ser considerados uma terapia de primeira linha. Pesquisas recentes sobre a eficácia de galactagogos farmacêuticos e fitoterápicos são ainda inconclusivas e todas as substâncias têm efeitos adversos potenciais.
  • Obstetras-ginecologistas e outros profissionais de assistência obstétrica podem apoiar as mães de bebês prematuros e no início do termo, fornecendo suporte proativo à lactação, incluindo educação e recomendações sobre a expressão manual, em antecipação a possíveis dificuldades de amamentação.
  • A amamentação deve ser incentivada em mulheres estáveis em tratamento assistido por medicação para transtornos do uso de opioides, que não estejam usando drogas ilícitas e que não tenham outras contraindicações para a amamentação.
  • Em caso de uma massa mamária palpável persistente encontrada durante o período de lactação, a paciente deve ser avaliada para evitar um atraso no diagnóstico de câncer de mama associado à gravidez. O apoio e estímulo à lactação deve ser fornecido durante a avaliação e o manejo.

Mensagem final

Portanto, obstetras, ginecologistas e outros profissionais de saúde estão em uma posição única para apoiar essas mulheres e devem estar preparados para as situações mais comuns no contexto do desafio “aleitamento materno”.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • American College of Obstetricians and Gynecologists. Brastfeeding Chalenges. ACOG COMMITTEE OPINION nº 820. 2021;137(2): e42-e53. doi: 1097/AOG.0000000000004253
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Publicado por
Juliana Olivieri

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