Reumatologia

Destaques ACR 2020: artrite psoriásica

Tempo de leitura: 4 min.

Diversos estudos foram apresentados sobre a artrite psoriásica (PsA) no ACR Convergence 2020.

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Secuquinumabe

Coates et al. avaliaram os dados de qualidade de vida e função física do estudo FUTURE 5, que envolveu pacientes com PsA em uso de secuquinumabe. Foram incluídos 996 pacientes, divididos em 4 grupos (222 no grupo secuquinumabe 300 mg com dose de ataque, 220 secuquinumabe 150 mg com dose de ataque, 222 secuquinumabe 150 mg sem dose de ataque e 332 placebo). Os autores encontraram que a maioria dos pacientes com secuquinumabe atingiram baixa atividade de doença (LDA), enquanto que 20-35% atingiram remissão sustentada.  LDA e remissão sustentada se associaram com uma melhora superior no questionário QoL, independente do índice composto analisado (DAPSA ou MDA).

Riechers et al. publicaram os resultados da análise interina do estudo observacional de vida real AQUILA, que avaliou o efeito deletério do tabagismo na atividade de doença de pacientes com espondilite anquilosante e PsA em uso de secuquinumabe. Na análise dos pacientes com PsA, o secuquinumabe apresentou boa eficácia, independentemente do status de tabagismo do paciente. Como se trata de uma análise interina, aguardamos resultados do estudo finalizado e de outros estudos maiores para confirmar essa tendência.

Ixequizumabe

Mease et al. apresentaram os dados de segurança após 52 semanas do estudo head-to-head que comparou o ixequizumabe com o adalimumabe no tratamento da PsA ativa (SPIRIT-H2H). Nesse estudo, o ixequizumabe apresentou uma maior taxa de eventos adversos relacionado ao tratamento do que o adalimumabe, preponderando os eventos locais. No entanto, foi encontrado que os pacientes em uso de adalimumabe apresentaram mais eventos adversos graves do que aqueles que utilizaram ixequizumabe, com predomínio de processos infecciosos de diferentes localizações. Com relação aos dados de eficácia do SPIRIT-H2H na semana 52, Smolen et al. encontraram que a resposta ao ixequizumabe foi sustentada, mantendo a diferença com relação ao adalimumabe encontrada na semana 24, no que diz respeito ao desfecho composto analisado (resposta ACR50 e PASI 100). A resposta do ixequizumabe foi semelhante nos grupos que estavam ou não em uso de DMARDs sintéticos associados; já nos grupos do adalimumabe, a resposta foi melhor nos pacientes que estavam em uso de DMARDs sintéticos convencionais.

Leia também: Destaques ACR 2020: doenças osteometabólicas e artrites microcristalinas

Gratacós et al. divulgaram os dados de extensão de eficácia e segurança do ixequizumabe nos pacientes com resposta inadequada ou intolerância a 1 ou 2 anti-TNF (estudo SPIRIT-P2). A resposta obtida inicialmente foi sustentada nas diversas variáveis analisadas (respostas ACR 20, 50 e 70, resposta PASI 75, 90 e 100, DPSA LDA ou remissão, resposta no MDA modificado, resposta do LEI, entre outros), com valores semelhantes aos obtidos na semana 52. Não foram descritos eventos adversos diferentes dos previamente relatados.

Ustequinumabe

Gossec et al. desenvolveram um estudo de vida real para avaliar se havia diferença na resposta clínica e nos eventos adversos em pacientes idosos (vs. jovens) com artrite psoriásica que estavam em uso de ustequinumabe. Foram incluídos 336 pacientes com menos de 60 anos e 102 pacientes com 60 anos ou mais. Não foram encontradas diferenças entre os dois grupos com relação à efetividade e segurança do tratamento. Os autores ainda encontraram que havia melhora na efetividade do sexto mês até o primeiro ano de tratamento. Além disso, não houve diferenças significativas entre os grupos nas taxas de retenção após 1 ano de tratamento.

Guselcumabe

Mease et al. apresentaram resultados de uma revisão sistemática e metanálise em rede comparando indiretamente os resultados do guselcumabe com as demais medicações utilizadas no tratamento da PsA. Tanto populações naïve quanto experimentadas para biológicos foram incluídas. Na população naïve, o guselcumabe bimestral e mensal ficaram em 8º e 5º lugares, respectivamente, de 19 intervenções, com relação à resposta ACR20. Suas respostas foram comparáveis com os anti-IL-17 e os anti-TNF. Na população experimentada para biológicos, as posições ocupadas pelo guselcumabe bimestral e mensal foram 3º e 2º (de 14 intervenções), respectivamente, para a resposta ACR20. Já para a resposta PASI75, o guselcumabe bimestral e mensal em pacientes naïve ficaram em 2º e 1º lugares, respectivamente, com resposta superior à maioria dos tratamentos, enquanto que, para pacientes experimentados, ficaram em 2º e 3º. Além disso, o guselcumabe apresentou boa eficácia na melhora dos componentes de função física do HAQ-DI. Dessa forma, os autores concluíram que o guselcumabe apresenta resposta articular periférica e melhora do HAQ-DI comparável com os demais tratamentos, e uma eficácia superior no tratamento das manifestações da psoríase em placa, quando comparado com a maioria dos outros tratamentos.

Do ponto de vista mecanístico, Siebert et al. demonstraram que o guselcumabe foi eficaz na redução dos níveis de PCR, de proteína amilóide A sérica e das citocinas relacionadas à resposta Th17 (IL-6, IL-17A, IL-17F e IL-22), na semana 24 dos trials DISCOVERY-1 e DISCOVERY-2.

Saiba mais: ACR 2020: destaques sobre artrite reumatoide

DMARDs sintéticos alvo-específicos

Orbai et al. avaliaram a eficácia do tofacitinibe no tratamento da dactilite associada à PsA, em uma análise post-hoc de um estudo patrocinado pela indústria farmacêutica (OPAL Broaden e OPAL Beyond). Foram incluídos 373 pacientes, que foram avaliados com relação à ocorrência de dactilite em dígitos isolados, localização da dactilite e patient-related outcomes (PROs). O índice utilizado para avaliação da dactilite foi o DSS. Naqueles com DSS >0 no baseline, os autores encontraram uma melhora na dactilite, independente da localização (mãos, pés ou ambos), quando comparados com placebo. Essa melhora se manteve durante os meses 1, 3 e 6. Já naqueles com DSS=0 no início do estudo, menos de 2% desenvolveram dactilite ao longo do seguimento, sem diferenças com o placebo. Com relação aos PRO, pacientes com tofacitinibe apresentaram melhoras superiores ao placebo nos escores HAQ-DI, FACIT-F e SF-36 (mês 1:  pacientes com dactilites apenas em pés e apenas em mãos; mês 6: independente da localização no mês 6).

Novas terapias

O bimekizumab é um anticorpo monoclonal IgG1 que neutraliza seletivamente as IL-17A e F. Gossec et al. divulgaram os resultados de 48 semanas do estudo de fase 2b chamado BE ACTIVE. Um total de 206 pacientes foram randomizados para recebe bimekizumab ou placebo. Os autores encontraram uma resposta rápida e melhores sustentadas nos PROs na semana 48 (47,5-58,5% com HAQ-DI MCID e 75,6-81,1% com PsAID-9 PASS). Além disso, uma maior proporção de pacientes no grupo bimekizumab atingiram MDA, VLDA e remissão no DAPSA. Vamos aguardar os resultados dos estudos de fase 3.

Propedêutica

Um estudo conduzido em Tel-Aviv destacou a importância da ultrassonografia articular em pacientes com PsA e fibromialgia. Os autores avaliaram 156 pacientes (114 com PsA sem fibromialgia e 42 com PsA e fibromialgia). Eles encontraram que pacientes com PsA e fibromialgia apresentavam escores de atividade de doença maiores que aqueles sem fibromialgia. No entanto, os escores ultrassonográficos utilizados se correlacionaram de maneira mais consistente com os escores de atividade de doença no grupo sem fibromialgia, o que sugere que os escores clínicos estão superestimados nos pacientes com fibromialgia. Dessa forma, o uso da ultrassonografia pode ser útil na decisão terapêutica, evitando trocas desnecessárias de medicações. Estudos de longo prazo são necessários para avaliar melhor o impacto da otimização terapêutica baseada na ultrassonografia para a prevenção de sequelas futuras.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Todos os abstracts apresentados podem ser encontrados na seguinte publicação: American College of Rheumatology. Abstract Supplement ACR Convergence 2020. Arthritis Rheumatol. 2020. doi:10.1002/art.41538.
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Publicado por
Gustavo Balbi

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