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Detecção precoce do câncer de cólon baseado em um modelo multifatorial

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Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 36.360 novos casos de câncer  colorretal (CCR) em 2018 (1). Essa doença é multifatorial influenciada por fatores genéticos, ambientais e relacionados ao estilo de vida, com a taxa de incidência por cem mil habitantes um pouco maior para homens do que para mulheres.

Apesar disso, o screening para câncer de cólon tem bem menos atenção da sociedade e da comunidade médica quando comparado, por exemplo, aos exames para detecção do câncer da mama ou da próstata. Os únicos fatores relevantes para atenção são a idade e a história familiar do paciente.

Um recente estudo analisou um modelo para avaliação de risco de câncer de cólon em pacientes jovens, baseado em uma análise multi fatorial (2). Utilizando registros de 10.590 casos-controle e 9.748 casos de câncer  de cólon, foram encontrados 430 pacientes que apresentaram esta doença antes dos 50 anos.

Utilizando uma modelagem que incluiu a história familiar, 19 aspectos de estilo de vida e fatores ambientais (E-Score), além de 63 características genéticas associadas ao câncer de cólon (G-score), os autores puderam projetar o risco de desenvolvimento de câncer do cólon em 10 anos.

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Como resultados, tanto o E-Score quanto o G-Score foram associados a maior acurácia para determinar o risco de desenvolver câncer de cólon maior do que a história familiar isolada.

O modelo combinando os escores e a história familiar estimou o risco de CCR com um AUC de 0,63 (IC 95%, 0,62-0,64) para homens e 0,62 (IC 95%, 0,61-0,63) para mulheres. Os valores de AUC baseados apenas na história familiar variaram de 0,53 a 0,54 e aqueles baseados apenas no E-score ou G-score variaram de 0,59 a 0,60.

A idade ótima calculada para o início do screening divergiu em até 12 a 14 anos para indivíduos com os maiores e menores escores de risco.

Esta pesquisa traz duas informações relevantes: sugerir àqueles indivíduos de alto risco, que se beneficiariam para detecção  precoce e, talvez mais importante, aqueles de baixo risco, que não necessitariam realizar o screening como hoje é proposto.

Com estes resultados, espera-se utilizar a medicina de precisão para dar um passo à frente no aconselhamento dos pacientes e, caso necessário, no tratamento definitivo (e curativo) precoce do câncer de cólon.

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Referências:

1 – INCA – Estimativas do câncer para o Brasil em 2018

2- http://www.gastrojournal.org/article/S0016-5085(18)30224-5/pdf

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