Cardiologia

Devemos transfundir ou não pacientes com anemia e IAM?

Tempo de leitura: 2 min.

A literatura recomenda que pacientes coronariopatas mantenham um nível de hemoglobina acima 8 g/dL com risco no prejuízo da isquemia miocárdica. Entretanto a estratégia transfusional no infarto agudo do miocárdio (IAM) em pacientes com anemia é incerta. Em alguns grupos de pacientes uma terapia restritiva, reservando hemotransfusão apenas em níveis de hemoglobina < 7 a 8 g/dL mostrou resultados semelhantes ou até melhores que uma terapia mais liberal.

Leia também: Infarto agudo do miocárdio tipo 2: qual a prevalência e especificidades?

Tome as melhores decisões clinicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas
Cadastrar Login

Análise recente

O estudo REALITY, um estudo aberto de não inferioridade, randomizado, foi realizado em 35 hospitais na França e Espanha envolvendo 668 pacientes. O objetivo do estudo era determinar se uma terapia transfusional mais restrita era não inferior a uma estratégia mais liberal.

O estudo contou com 666 pacientes randomizados, destes 342 foram selecionados para terapia mais restrita (transfundir com ≤ 8 de hemoglobina), e 324 para a estratégia liberal (transfundir com ≤ 10 de hemoglobina). A idade média foi de 77 anos e 42,2% eram mulheres.

O desfecho primário era composto por eventos cardiovasculares maiores (morte por todas as causas, AVC, IAM recorrente e revascularização de emergência) em 30 dias. Os componentes do desfecho secundário foram os mesmos do primário, porém avaliados individualmente.

Saiba mais: Anemia megaloblástica e suas alterações morfológicas

No grupo da terapia restrita 122 (35,7%) pacientes receberam transfusão num total de 342 concentrados de hemácias, e no grupo da terapia liberal 323 (99,7%) pacientes receberam hemotransfusão num total de 758 bolsas. O desfecho primário ocorreu em 36 pacientes do grupo restrito e 46 no grupo da terapia liberal, uma diferença de -3,0% [95% IC, -8,4% a 2,4%]), o risco relativo foi de 0,79 (97,5% IC, 0,00-1,19) atingindo o critério de não inferioridade.

Conclusão

O estudo favorece a terapia restritiva na hora de transfundir pacientes com IAM. No entanto, o IC incluiu o que pode ser um dano clinicamente importante. O estudo abre o caminho para uma redução nas transfusões, entretanto a hemoglobina deve ser mantida acima de 10 g/dL caso haja sintomas isquêmicos. Mais estudos são necessários para confirmação da hipótese.

Referências bibliográficas:

  • Ducrocq G, Gonzalez-Juanatey JR, Puymirat E, et al. Effect of a Restrictive vs Liberal Blood Transfusion Strategy on Major Cardiovascular Events Among Patients With Acute Myocardial Infarction and Anemia: The REALITY Randomized Clinical Trial. JAMA 2021 Feb 9;325(6):552-560. doi: 10.1001/jama.2021.0135.
Compartilhar
Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

Posts recentes

Síndrome Metabólica e Colangiocarcinoma: destaques em Medicina Interna

Mais de 80 conteúdos publicados esta semana. Destaque para Medicina Interna, com Síndrome Metabólica e…

10 horas atrás

PEBMED e Saúde Global: Como aumentar a receita do consultório e na clínica

No episódio de hoje, Rodrigo Lima destaca os passos fundamentais para conseguir o aumento da…

11 horas atrás

Hepatite C: diagnóstico e manejo

No Brasil, entre os anos de 1999 e 2018, foram notificados 359.673 casos de hepatite…

15 horas atrás

Os diversos efeitos do álcool sobre o funcionamento do sistema imune

Quanto o álcool pode afetar o sistema imunológico e prejudicar os desfechos de doenças, quais…

16 horas atrás

Revisão de alimentos causadores de anafilaxia mais comuns por região 

As informações nos rótulos sobre a presença de alérgenos em alimentos é divulgada com base…

17 horas atrás

Cuidados de enfermagem na síndrome pós-Covid-19

Um dos grandes desafios que a enfermagem e a população têm enfrentado após a fase…

18 horas atrás