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Devemos usar MAPA na triagem de pacientes hipertensos?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Em reportagens anteriores, comentamos sobre a importância das medidas domiciliares da PA no diagnóstico e tratamentos dos pacientes hipertensos. Dos métodos disponíveis, a MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) de 24 horas é um dos mais úteis e estudados. Neste método, o paciente coloca um aparelho automático oscilométrico pela manhã e vai para casa, a fim de retomar suas atividades habituais. O aparelho irá realizar medidas a cada 20 minutos de dia e 30 minutos à noite. No retorno no dia seguinte, você terá acesso a mais de 70 medidas da PA! Para saber mais sobre a MAPA e sua importância, não deixe de ler o valor prognóstico da MAPA em hipertensos e as últimas diretrizes da SBC.

Mas hoje nosso objetivo é diferente. O departamento de saúde da Inglaterra e a AHA/ACC nos EUA recomendam o uso da MAPA ou da MRPA na triagem de pacientes com hipertensão recém-diagnosticada, com o objetivo de evitar o tratamento desnecessário daqueles com a hipertensão do jaleco branco, isto é, com PA elevada no consultório mas normal na média das 24 horas. Contudo, a MAPA e a MRPA trazem custos maiores e podem não ser factíveis como ferramenta obrigatória a todos os pacientes. É bom lembrar que a prevalência de hipertensão é de 20 a 30% da população geral!!! E pode chegar a mais de 50% após os 50 anos de idade. Por isso, estão estudando se há uma forma de identificar os pacientes de maior risco para só este subgrupo ser triado com medidas domiciliares.

O PROOF-BP é uma estratégia proposta por um grupo de pesquisadores com o objetivo de identificar os pacientes de maior risco e, com isso, serem selecionados para uso da MAPA de 24 horas. Em um estudo recente na British Medical Journal, o uso da ferramenta foi eficaz e vamos detalhar um pouco do estudo para você!

A pesquisa foi conduzida em 11 centros na Inglaterra e no Canadá, com quase 900 participantes. A idade média foi 52 anos, 53% sexo feminino e 71% de branco; 13% de diabéticos e maior parte com HAS estágio 1. O resultado mostrou que o uso do algoritmo PROOF-BP reduziu a necessidade de MAPA para triagem de toda a população, com 97% de sensibilidade e 76% de especificidade (acurácia 86%) para a correta identificação dos hipertensos. Contudo, o algoritmo não conseguiu identificar de 10 a 20% dos pacientes com hipertensão do jaleco branco, sugerindo uso de medicação para este grupo sem indicar a MAPA antes.

Ainda assim, os autores argumentam que o número de pacientes corretamente identificados (86% de acurácia) e um uso mais racional da MAPA superam este “risco” e recomendam o uso dessa estratégia como rotina no diagnóstico inicial e acompanhamento dos hipertensos no dia a dia.

Mas qual é este algoritmo? Mostramos na figura abaixo como ele funciona e por este link vocês têm acesso à calculadora gratuita!

mapa

Exemplo do resultado do uso da calculadora:

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

Referências:

  • Sheppard James P, Martin Una, Gill Paramjit, Stevens Richard, Hobbs FD Richard, Mant Jonathan et al. Prospective external validation of the Predicting Out-of-OFfice Blood Pressure (PROOF-BP) strategy for triaging ambulatory monitoring in the diagnosis and management of hypertension: observational cohort study BMJ 2018; 361 :k2478

Um comentário

  1. HERBERT LIMA CÂMARA

    20% de erro na hipertensão do jaleco branco, levando a tratamento farmacológico inadequado, sintomatologia adversa e, como consequencia, o M.A.P.A. no fim das contas será inevitável a essa grande parcela , porém depois de transtornos e desgastes
    Em minha opinião, isso já inviabiliza o adiamento do M.A.P.A.
    Essa “calculadora” me parece mais útil ‘as empresas seguradoras de saúde (redução e custos) do que ao cliente.

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