Pediatria

Dia Mundial da Prevenção à Síndrome Alcoólica Fetal: o que a exposição ao álcool na gravidez gera?

Tempo de leitura: 3 min.

A síndrome alcoólica fetal (SAF) é atribuída à ingestão de álcool na gestação. Infelizmente, essa síndrome é a maior causadora de retardo mental prevenível.

Há diferentes graus e intensidade desse espectro chamado de FASD (em inglês, Fetal Alcohol Spectrum Disorders),cujas consequências vão desde alterações mais sutis até o transtorno mais grave congênitos e de neurodesenvolvimento, a SAF.  

Estima-se, que no Brasil, 33% das gestantes ingerem alguma dose de álcool na gravidez. Além disso, acredita-se que 120 mil recém-nascidos (RN) anualmente nascem com síndrome alcoólica fetal. Para evitá-la, basta não ingerir qualquer tipo ou quantidade de bebida alcoólica durante a gravidez, ou interromper seu uso imediatamente assim que houver suspeição de gestação. Sabe-se que, em qualquer fase da gestação, o álcool é fator de risco, e não se conhece uma ingestão segura dessa substância. 

A recomendação é ingestão zero de álcool, pois mesmo uma baixa quantidade ingerida é capaz de levar a aborto, prematuridade, baixo peso ao nascer e asfixia perinatal. 

Devido a alta prevalência mundial (6 a 9 casos por 1000 nascidos vivos), todos os anos a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) faz campanha de alerta sobre os riscos do consumo de álcool na gravidez, com o objetivo de informar a população sobre o tema que permanece desconhecido por muitos.

Leia também: A presença paterna na prevenção do uso de bebidas alcoólicas e depressão na gestação

Estudos sobre a síndrome alcoólica fetal

Vários estudos já comprovam que o álcool é capaz de atravessar a barreira transplacentária e que a concentração deste no sangue fetal é equivalente à concentração no sangue materno (1 a 2h após ingestão). Porém, o organismo fetal não é capaz de metabolizar essa substância, levando a múltiplas malformações, principalmente no sistema nervoso central, confirmando que o álcool é um agente teratogênico. 

A gravidade das manifestações clínicas depende de fatores como: quantidade, frequência, período da exposição fetal e outros fatores individuais maternos, genéticos e ambientais. 

Em 2018, o tema ficou ainda mais relevante quando uma revista científica inglesa chamada Cerebral Cortex publicou um artigo chamado: “Prenatal Ethanol Exposure and Neocortical Development: a transgenerational model of FASD”  demonstrando, em modelos experimentais, que a exposição pré-natal ao álcool pode gerar modificações epigenéticas específicas por 3 gerações, podendo levar a diminuição do peso cerebral e corporal, defeito na expressão do RNA e desenvolvimento anormal de conexões cerebrais, além de aumentar as chances de ansiedade, depressão e alteração na coordenação motora. 

Considerações

Os danos, infelizmente, são irreversíveis e de difícil manejo, que é baseado em reabilitação, educação especial, equipe multidisciplinar e tratamento para controle do déficit de atenção e hiperatividade. 

Infelizmente, não há cura para essa doença, por isso a única recomendação é a prevenção.  

Autora:

Referências bibliográficas:

  • ABBOTT, C. W. et al. Prenatal Ethanol Exposure and Neocortical Development: A Transgenerational Model of FASD. Cereb Cortex, v.28, n.8, p.2908-2921, 2018 
  • FLAK, A. L. et al. The association of mild, moderate, and binge prenatal alcohol exposure and child neuropsychological outcomes: a meta-analysis. Alcohol Clin Exp Res, v.38, n.1, p.214-226, 2014
  • SUNDERMANN, A. C. et al. Week-by-week alcohol consumption in early pregnancy and spontaneous abortion risk: a prospective cohort study. Am J Obstet Gynecol, v.224, n.1, p.97.e1-97.e16, 2021
  • CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Fetal alcohol spectrum disorders”. 2018.
  • NATIONAL INSTITUTE ON ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM. Fetal Alcohol Exposure. 2019. Disponível em: https://www.niaaa.nih.gov/sites/default/files/FASD.pdf  Acesso em: 14/09/2021
  • MESQUITA, M. A. Manifestações clínicas e critérios diagnósticos do espectro de desordens fetais alcoólicas. In: SEGRE, C. A. M. (coord). São Paulo: SPSP; 2017
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Publicado por
Larissa Pires Marquite da Silva

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