Terapia Intensiva

Dia Mundial da Sepse: onde estamos?

Tempo de leitura: 3 min.

O dia 13 de setembro é marcado por ser o Dia Mundial da Sepse, data criada pela Aliança Global para Sepse (Global Sepsis Alliance) para conscientização em relação a essa condição frequente e de alta mortalidade em todo o mundo. Estima-se que casos de sepse sejam responsáveis por aproximadamente 30.000.000 de mortes no mundo e 240.000 mortes por ano no Brasil. 

Leia também: Parâmetros ecocardiográficos e mortalidade na sepse pediátrica: existe correlação?

Estudo em UTIs brasileiras

Conduzido pelo Instituto Latino-americano de Sepse (ILAS), o estudo SPREAD foi um estudo multicêntrico conduzido no Brasil em 2014 com o objetivo de avaliar prevalência e letalidade por sepse e choque séptico no cenário das UTIs brasileiras. Os responsáveis pela pesquisa analisaram dados de 317 UTIs e os resultados mostraram uma prevalência de 30,2 casos de sepse ou choque séptico a cada 100 leitos e uma incidência de 36,6 a cada 1000 pacientes-dia. A mortalidade observada foi de 55,7%, maior do que em outros países, sem diferença significativa entre casos ocorridos em leitos públicos ou privados.

Fatores associados a maior mortalidade nesse estudo de forma independente foram menor disponibilidade de recursos na unidade de saúde e inadequação do tratamento, principalmente atraso para administração da primeira dose de antibiótico.

Mais recentemente, baseados em dados do projeto UTIs Brasileiras, que agrega dados apresentados de forma voluntária de UTIs localizadas em diversas áreas do país, Lobo e colaboradores (2019), publicaram uma revisão sobre a prevalência e a mortalidade de sepse nas UTIs do Brasil entre 2010 e 2016. Os dados mostram um aumento no número de casos de sepse nas UTIs brasileiras, indo de 19,4% do total de hospitalizações em 2010 para 25,6% em 2016.

Saiba mais: ABRAMEDE 2021: sepse em tempos de Covid-19

Entretanto, esse aumento foi acompanhado de uma redução estável e constante nos índices de mortalidade: 39% em 2010 e 30% em 2016. Uma análise no banco de dados do ILAS mostrou redução significativa na mortalidade relacionada à sepse em hospitais privados, mas não nos públicos. Os autores pontuam que os motivos para essa diferença não estariam diretamente relacionados à forma de financiamento, mas ao nível de estruturação e organização, com adesão a medidas de programas de melhoria de cuidado.

Reconhecimento precoce e o estabelecimento de um tratamento adequado são pilares nas medidas de combate à sepse que devem ser perseguidos nas unidades de saúde. Além disso, reduzir a incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde e adotar medidas de prevenção de surgimento e transmissão de organismos multirresistentes a antimicrobianos também são metas a serem colocadas como prioridade no planejamento dos gestores e da equipe assistencial.

Pontos importantes no tratamento e prevenção de sepse a serem observados incluem:

  • Reconhecimento precoce dos sinais de sepse;
  • Delineamento dos possíveis focos infecciosos conforme história clínica do paciente e achados em exame físico e exames complementares;
  • Coleta de culturas de amostras biológicas conforme suspeita clínica;
  • Medidas de suporte e antibioticoterapia precoces;
  • Controle de possível foco infeccioso (drenagem de abscessos, retirada de cateteres, etc);
  • Higienização das mãos nos 5 momentos preconizados;
  • Adesão a bundles de inserção e manutenção de cateteres e de prevenção de infecções de corrente sanguínea, pneumonia associada à ventilação mecânica e infecção urinária relacionada a cateter;
  • Adesão às medidas de precaução de contato;
  • Adesão às medidas de uso racional de antimicrobianos.

Referências bibliográficas:

  • Dia mundial da Sepse. Sobre a sepse no mundo. Disponível em: https://diamundialdasepse.com.br/
  • Machado, FR, Cavalcanti, AB, Bozza, FA, Ferreira, EM, Carrara, FSA, Sousa, JL. The epidemiology of sepsis in Brazilian intensive care units (the Sepsis PREvalence Assessment Database, SPREAD): an observational study. The Lancet Infectious Diseases. doi: 10.1016/S1473-3099(17)30322-5
  • Lobo, SM, Rezende, E, Mendes, CL, Oliveira, MC. Mortality due to sepsis in Brazil in a real scenario: the Brazilian ICUs project. Rev Bras Ter Intensiva. 2019;31(1):1-4. doi: 10.5935/0103-507X.20190008. 
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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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